
Apático? Estressante? Irregular?
Nada disso descreve o Corinthians que entrou em campo neste domingo. O que se viu foi um time intenso, agressivo, organizado e, acima de tudo, dominante. Um Corinthians que jogou para frente, controlou o adversário e poderia, sem exagero algum, ter construído um placar ainda mais elástico.
A vitória por 2 a 0 sobre o Flamengo não foi obra do acaso. Foi fruto de leitura tática, postura competitiva e personalidade — elementos que definem campeões.
Primeiro tempo: o Corinthians toma o jogo para si

O Flamengo até entrou com o peso do favoritismo, sustentado pelo histórico recente contra o Timão e pela qualidade individual do elenco. Nos primeiros 15 minutos, conseguiu rondar a área corinthiana e provocar aquele velho sentimento no torcedor: “lá vamos nós de novo”.
Mas foi só isso.
A partir daí, o Corinthians assumiu o controle. Compacto, agressivo na marcação e rápido na transição, o time de Dorival Júnior passou a ditar o ritmo da partida. Não era apenas competir — era subjugar.
Aos 26 minutos, veio o reflexo do trabalho. Em jogada de escanteio ensaiada, confirmada depois por Gustavo Henrique, o zagueiro escorou com autoridade e Gabriel “Paulista”, símbolo de identidade em campo, finalizou com precisão para abrir o placar no Mané Garrincha.

Depois do gol, só deu Corinthians. Breno Bidon puxou contra-ataque e deixou Memphis cara a cara com o goleiro, chance desperdiçada, mas que escancarou a superioridade alvinegra. O primeiro tempo terminou com a sensação clara: o Corinthians havia se imposto técnica e mentalmente.
Segundo tempo: caos, VAR e resistência emocional

O intervalo trouxe o caos. Carrascal, que havia terminado o primeiro tempo em campo, foi expulso após revisão do VAR por uma jogada ocorrida no fim da etapa inicial. Com isso, todos os planos traçados pelos técnicos foram jogados no lixo. Um passou a ter vantagem numérica; o outro, um desafio emocional.
O Flamengo tentou aproveitar o momento. Logo aos três minutos, Pulgar acertou uma cabeçada no travessão, no lance mais perigoso do time carioca em toda a partida.
O Corinthians não se abalou.
Aos 13 minutos, Rossi operou dois verdadeiros milagres em sequência. Na sobra, Memphis marcou, mas o gol foi anulado por impedimento, reacendendo a discussão sobre a atuação do VAR em uma final de Supercopa.
O jogo, então, se fragmentou. Muitas faltas, interrupções constantes e uma arbitragem que contribuiu para um ritmo travado. A decisão ficou suspensa no ar até os acréscimos.
Com a estreia do jovem Kaio César, o Corinthians ganhou fôlego. Em jogada iniciada pelo garoto, Yuri Alberto fez uma parede de manual, girou sobre Léo Pereira e soltou uma bomba na trave. O estádio prendeu a respiração.
Do outro lado, a reestreia de Lucas Paquetá simbolizava a última cartada rubro-negra. Em cobrança rápida de falta, a defesa corinthiana foi surpreendida, Paquetá dominou sozinho e finalizou por cima, arrancando reações irônicas e incrédulas das arquibancadas.
Mas o destino já estava escrito.
Em nova jogada de Kaio César, veio a assistência majestosa. Yuri Alberto, o contestado, aplicou um chapéu em Rossi — apagando qualquer fantasma do passado — e decretou o placar final: Flamengo 0 x 2 Corinthians.
Polêmicas que não apagam a superioridade
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A final foi marcada por decisões controversas. Logo no início, Bidon reclamou de agressão de Gonzalo Plata, sem revisão conclusiva. No fim do primeiro tempo, sofreu uma braçada de Carrascal, que só foi analisada após o intervalo, gerando questionamentos sobre o impacto nas orientações dos técnicos.
A maior crítica ficou no gol anulado de Memphis, em um momento em que o VAR não operava plenamente. Em uma final organizada pela principal entidade do futebol brasileiro, a pergunta é inevitável: como aceitar essa falha estrutural?
Nada disso, porém, apaga a superioridade corinthiana.
As joias do Terrão assumem o protagonismo

Breno Bidon já deixou de ser promessa. O volante atua com maturidade, leitura de jogo, intensidade e personalidade. Arma, desarma e acelera. É jogador de seleção — agora ou no futuro.
André, por sua vez, foi uma surpresa ainda maior. Dominou um meio-campo recheado de estrelas e cifras do Flamengo. Dor de cabeça positiva para Dorival, que ganhou mais uma peça confiável em um setor decisivo.
Dorival Júnior: o técnico de copas

Se antes houve críticas — inclusive deste colunista — agora é hora de reconhecer. Dorival Júnior é técnico de mata-mata. Organizou um sistema defensivo sólido, neutralizou as principais armas do Flamengo e soube controlar o emocional do time mesmo em um cenário adverso.
A pergunta que fica é inevitável: até onde esse Corinthians pode ir na Libertadores?
Com atuações assim, sonhar não é exagero.
Yuri Alberto e Memphis: dois discursos, dois caminhos

Yuri Alberto segue sendo um paradoxo. Irrita, falha, mas decide. Três finais, três gols. Tricampeão. Tem estrela e tem a cara do Corinthians: não desiste, não se esconde e aparece quando importa.
Memphis, por outro lado, voltou a expor críticas à administração do clube, repetindo o discurso do pós-Copa do Brasil. Entre elogios à torcida e cobranças públicas, reacende dúvidas sobre renovação e futuro.
Flamengo: crise técnica e simbólica

O Flamengo acumula sua terceira derrota consecutiva. Oscila no Carioca, tropeçou na estreia do Brasileirão e perdeu o primeiro título da temporada. Um time que recentemente dominava o continente hoje parece desconectado.
Paquetá, a contratação mais cara da história do futebol brasileiro, ainda não justificou o investimento. O peso agora é maior: a temporada começou, e os holofotes estão totalmente voltados para ele — e para um Flamengo que precisa reagir rápido.
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