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Eleições presidenciais no Chile: polarização entre comunistas e admiradores de Pinochet

Chilenos vão às urnas escolher novo presidente em um cenário dividido entre esquerda e direita

Eleições presidenciais no Chile: polarização entre comunistas e admiradores de Pinochet
Bandeira do Chile. Foto: Shutterstock — Foto: Bandeira do Chile (Shutterstock)

Cerca de 15,6 milhões de chilenos votam em um processo polarizado; favoritos incluem uma comunista e um admirador de Pinochet.

Eleições presidenciais no Chile: um cenário polarizado

Neste domingo (16), aproximadamente 15,6 milhões de chilenos vão às urnas para escolher o sucessor do presidente Gabriel Boric, em um contexto de polarização política que reflete as tensões observadas em diversos países da América do Sul. Os eleitores não apenas votarão para a presidência, mas também escolherão 155 deputados e 23 senadores.

A candidata governista Jeannette Jara, ex-ministra do Trabalho e militante do Partido Comunista, aparece como favorita nas pesquisas, seguida por José Antonio Kast, um ultraconservador que expressa admiração pelo ex-ditador Augusto Pinochet. A expectativa é que, caso nenhum candidato consiga a maioria absoluta no primeiro turno, Jara e Kast se enfrentem em um segundo turno marcado para 14 de dezembro, com favorecimento para Kast devido ao seu potencial de agregar votos da centro-direita.

O contexto de insatisfação

Parte da dificuldade da esquerda em conquistar apoio popular pode ser atribuída à baixa aprovação de Boric, que está abaixo dos 30% há vários meses. Isso poderia sinalizar uma mudança econômica significativa no Chile, já que as propostas da direita incluem cortes de impostos e redução do tamanho do Estado, potencialmente resultando em diminuição de gastos sociais.

Outro fator a ser considerado é o retorno do voto obrigatório, implementado em 2022. Isso significa que entre 5 e 6 milhões de chilenos votarão pela primeira vez em uma eleição presidencial, o que pode resultar em surpresas nas urnas. Uma pesquisa recente indicou que 74% dos eleitores pretendem comparecer às urnas por vontade própria, enquanto 26% o farão por obrigação, com multas previstas para aqueles que não comparecerem sem justificativa.

Questões de segurança e economia

A segurança é a principal preocupação dos eleitores, com 63% afirmando que crime e violência são os maiores problemas do país. A taxa de homicídios, embora baixa em comparação com outros países da região, dobrou na última década. Durante o último debate presidencial, Kast foi criticado por realizar atos de campanha protegido por um vidro à prova de balas, refletindo o clima de insegurança no país.

Em termos econômicos, a eleição ocorre em um momento de baixa popularidade do presidente Boric e uma economia que se mantém em um nível neutro. Recentemente, o Goldman Sachs destacou que a inflação caiu para 3,4%, o mais baixo sob a administração Boric, mas o mercado de trabalho ainda apresenta fraquezas, com a taxa de desemprego em 8,5%.

O futuro do Congresso chileno

Além da presidência, os chilenos também votarão em um novo Congresso, o que pode influenciar a agenda legislativa do país. A composição atual da Câmara dos Deputados é controlada em sua maioria por uma coalizão de esquerda, mas uma mudança para a direita poderia resultar em uma agenda mais favorável a cortes de gastos e reformas econômicas.

Na disputa presidencial, Jeannette Jara, de 51 anos, propõe a continuidade das políticas de Boric, enquanto José Antonio Kast, de 59 anos, busca uma agenda conservadora, embora suas raízes familiares na ditadura de Pinochet gerem controvérsias. Evelyn Matthei, de 71 anos, também é uma candidata de destaque, prometendo um ajuste fiscal significativo e um aumento na presença policial nas ruas.

Considerações finais

A eleição no Chile é um reflexo das tensões políticas e sociais que marcam a região. Com uma nova geração de eleitores e a obrigatoriedade do voto, o resultado pode trazer mudanças significativas na direção política e econômica do país. As próximas semanas serão cruciais para entender os rumos que o Chile tomará após as eleições.

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