Fundador da IDEIA Big Data analisa a nova dinâmica eleitoral em evento em são paulo

A eleição de 2026 poderá ser decidida pela economia e não pela ideologia, segundo especialista.
A nova lógica eleitoral para 2026
A análise do cientista político e economista Mauricio Moura, fundador da IDEIA Big Data, revela que a disputa presidencial de 2026 pode romper com a tradicional polarização entre lulismo e bolsonarismo. Durante um evento do UBS em São Paulo, Moura destacou que a economia e não a ideologia deve ser o principal critério para a decisão de voto nas próximas eleições.
Moura enfatizou que o futuro eleitorado está concentrado em um grupo específico, que representa aproximadamente 3% do total, ou cerca de 5 milhões de eleitores. Este segmento é composto em grande parte por aqueles que apoiaram Jair Bolsonaro em 2018 e mudaram seu voto para Luiz Inácio Lula da Silva em 2022. “Esse grupo responde quase exclusivamente ao que sente na economia do dia a dia”, explicou.
O perfil do eleitor em 2026
O perfil desse eleitor é híbrido, predominando na classe C, com uma significativa presença feminina e um número considerável de pequenos empreendedores, tanto formais quanto informais. Moura descreve um público que combina a autonomia econômica com uma dependência do Estado em áreas essenciais, como saúde pública, educação e transporte.
Geograficamente, esse contingente está majoritariamente localizado nas regiões metropolitanas do Sudeste, com destaque para cidades como São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Moura enfatizou que o Resultado da eleição de 2026 pode ser definido pelo desempenho nessas áreas, semelhante ao que ocorreu em 2022, onde o Sudeste teve um papel crucial.
A relação com os governos
A avaliação desse eleitorado sobre os governos atual e anterior traz à tona uma dinâmica interessante. Apesar de atualmente terem uma percepção negativa sobre Lula, esse grupo rejeita um retorno de Bolsonaro, especialmente devido ao impacto da pandemia. Moura caracterizou esse público como “anti-bolsonarista”, que, no entanto, não está disposto a dar um apoio irrestrito ao presidente.
Moura também ponderou que Lula provavelmente entrará na corrida de 2026 com pouco espaço para expansão de sua base eleitoral, diferentemente do que geralmente ocorre com presidentes buscando reeleição. Ele acredita que, com uma melhora nas condições econômicas, Lula pode aumentar seus índices de aprovação ao longo do ciclo eleitoral. “Quando alguém tem o celular roubado, ninguém pensa no presidente. Mas, no supermercado, pensa-se no presidente”, afirmou.
A questão central para o eleitor
Por fim, Moura destacou que a pergunta central que esse eleitor fará em 2026 será se a vida melhorou ou piorou. A resposta a essa indagação poderá ser determinante na hora de decidir o voto, indicando que a economia, de fato, será o critério primordial a ser considerado pelos eleitores na próxima eleição.