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Folha Jundiaiense

Dólar recua a R$ 5,03 com alívio geopolítico e olhos nos EUA

O dólar recuou e a bolsa brasileira fechou em queda nesta quinta-feira (28), um movimento desencadeado pela diminuição das tensões geopolíticas no Oriente Médio e por dados de inflação nos Estados Unidos que aliviaram moedas de economias emergentes.

O dólar comercial encerrou o dia vendido a R$ 5,032, marcando um recuo de R$ 0,029 (-0,57%).

A cotação iniciou o pregão em R$ 5,07, mas a valorização do real se firmou após a abertura dos mercados americanos. Na mínima do dia, a moeda chegou a R$ 5,02, indicando uma descompressão ao longo da sessão.

Apesar da retração pontual, a moeda americana acumula alta de 1,60% em maio. No ano, porém, a desvalorização atinge 8,33%, evidenciando a montanha-russa que tem sido o câmbio em 2024.

A bolsa brasileira não seguiu o alívio do câmbio. O índice Ibovespa, principal indicador da B3, fechou aos 175.063 pontos, com queda de 0,39%.

A pressão veio, principalmente, das ações da Petrobras e da persistente cautela sobre a trajetória dos juros no Brasil, um fator que mantém investidores locais e estrangeiros em estado de alerta e com menor apetite por risco no mercado acionário.

Dólar perde força com alívio geopolítico e dados dos EUA

A moeda americana operou em baixa durante quase toda a sessão, refletindo um movimento global de valorização de moedas de países em desenvolvimento. A principal causa foi o avanço em um entendimento preliminar entre Estados Unidos e Irã para ampliar o cessar-fogo no Oriente Médio, além de iniciar novas negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Notícias de um possível arrefecimento das hostilidades na região diminuem a procura por ativos considerados mais seguros, como o dólar americano e títulos do Tesouro dos EUA. Em momentos de incerteza global, investidores buscam refúgios para proteger capital. A calmaria, ainda que provisória, inverte essa lógica, direcionando capital para economias de maior risco e com potencial de retorno mais elevado, como o Brasil.

O real, nesse contexto, se beneficiou e mostrou desempenho superior ao de outras moedas emergentes, evidenciando a sensibilidade do mercado cambial brasileiro às oscilações da política internacional.

Outro fator crucial veio do cenário econômico americano. A divulgação do Índice de Preços para Consumo Pessoal (PCE), tido como o principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, veio ligeiramente abaixo das expectativas do mercado. Esse dado reforça a percepção de uma inflação mais controlada na maior economia do mundo.

Um PCE mais baixo sugere que o Fed pode ter mais margem para considerar cortes nas taxas de juros, que hoje estão elevadas. Uma eventual redução das taxas americanas tenderia a tornar investimentos em outras regiões, como o Brasil, mais atraentes, ao diminuir o diferencial de rentabilidade entre os mercados e incentivar a busca por maior retorno fora dos EUA.

Ibovespa recua sob peso da Petrobras e juros internos

Enquanto bolsas em Nova York registravam recordes, o Ibovespa brasileiro seguiu o caminho inverso, encerrando o dia no campo negativo. A queda do índice foi intensificada pelas ações da Petrobras, que oscilaram junto com os preços do petróleo no mercado internacional.

Os papéis preferenciais da estatal (PETR4) caíram 0,72%, e as ações ordinárias (PETR3) registraram recuo de 1,16%. Essa movimentação se deu mesmo após a empresa anunciar um reajuste da gasolina nas refinarias, um indicativo da forte influência do mercado global de commodities sobre a precificação da companhia.

A volatilidade do petróleo, explicada pelas notícias do Oriente Médio e pela dinâmica de oferta e demanda global, impacta diretamente a valoração da Petrobras, uma gigante do setor. A empresa, por sua vez, tem peso significativo na composição do Ibovespa, e oscilações em seus papéis puxam o índice para cima ou para baixo.

O mercado brasileiro também se manteve atento aos indicadores de inflação e às perspectivas para a taxa básica de juros, a Selic.

Mesmo com sinais de desaceleração da atividade econômica, como a queda na criação de empregos formais em abril, conforme o Caged, a percepção de uma inflação ainda elevada no Brasil mantém dúvidas sobre o ritmo e a intensidade dos futuros cortes de juros pelo Banco Central. Essa incerteza afeta o humor dos investidores, que buscam clareza sobre o custo do dinheiro e o potencial de retorno de seus investimentos, ditando a alocação de capital na bolsa.

Petróleo oscila, refletindo tensões e alívio

Os preços do petróleo tiveram um dia de forte volatilidade, reagindo a cada nova informação envolvendo o Oriente Médio.

O petróleo Brent, referência internacional usada pela Petrobras, avançou 0,49%, fechando cotado a US$ 92,70 o barril. O barril WTI, negociado no Texas, subiu 0,25%, para US$ 88,90.

A expectativa de um acordo que permitisse a reabertura plena do Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte global de petróleo, chegou a pressionar as cotações para baixo. No entanto, as incertezas inerentes ao conflito na região e relatos pontuais de novos ataques mantiveram os investidores cautelosos. Isso impediu uma queda mais acentuada e ajudou os contratos futuros a encerrar o dia em alta moderada, mostrando que a região segue sendo um barril de pólvora para a economia global.

Contexto

A relação entre eventos geopolíticos, como os conflitos no Oriente Médio, e a dinâmica dos mercados globais de commodities e moedas é direta. A instabilidade em regiões produtoras de petróleo ou em rotas de transporte essenciais rapidamente se traduz em prêmios de risco que elevam os preços da energia e fortalecem moedas consideradas refúgios. Paralelamente, dados macroeconômicos de grandes economias, como a inflação nos Estados Unidos, moldam as decisões de política monetária de bancos centrais globais, impactando o fluxo de capital para mercados emergentes como o Brasil. A taxa Selic interna e as expectativas de inflação completam esse quadro, definindo o custo do dinheiro no país e influenciando o apetite por risco dos investidores na bolsa brasileira.

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