A menos de três anos das eleições gerais de 2026, a corrida pela Presidência do Senado Federal já mobiliza os bastidores de Brasília, com influentes senadores e líderes políticos articulando apoios. A disputa, que define o comando da Casa para o biênio 2027-2029, promete redefinir o equilíbrio de forças entre os Poderes e moldar a agenda legislativa do país. Nomes como Davi Alcolumbre (União-AP), Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Renan Calheiros (MDB-AL) e Arthur Lira (PP-AL) emergem como protagonistas nesta batalha antecipada, evidenciando a intensidade da movimentação política.
Davi Alcolumbre: A Máquina e o Desafio da Recomposição
O senador Davi Alcolumbre, atual presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), posiciona-se como um dos favoritos iniciais. Ele detém a vantagem de controlar a máquina do Senado, construiu uma extensa rede de relações parlamentares e possui conexões estratégicas com outros Poderes. Reeleito senador em 2022, Alcolumbre tem mandato na Presidência do Congresso até 1º de fevereiro do próximo ano, quando o plenário elegerá a Mesa Diretora para o período subsequente, 2027-2029.
A possibilidade de uma nova legislatura abre caminho regimental para Alcolumbre buscar a recondução ao posto. No entanto, o cenário de 2027 projeta-se diferente daquele de 2025, quando ele obteve 73 dos 81 votos. Uma eventual expansão da bancada conservadora no Senado exigirá de Alcolumbre a construção de complexos acordos, envolvendo tanto a esquerda quanto o Centrão, e a oferta de benesses e espaços para os novos senadores eleitos. Este processo ressalta a importância da habilidade de negociação e da capacidade de articulação política.
Um dos seus maiores ativos recentes reside na demonstrada capacidade de controlar a agenda do Congresso e, quando necessário, de confrontar o Palácio do Planalto. A rejeição de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Supremo Tribunal Federal (STF), com 42 votos a 34, marca um ponto significativo. Esta foi a primeira derrota de uma indicação presidencial à Corte Suprema desde 1894, um feito que sublinha a independência e a força política do Congresso sob sua influência.
Apesar de momentos de tensão, a relação entre Alcolumbre e o governo Lula passou por uma recomposição nos últimos dias. O presidente e o senador realizaram três encontros na última semana, dois deles fora da agenda oficial. Esses diálogos resultaram em um entendimento que destravou a tramitação de propostas consideradas prioritárias pelo governo para as eleições futuras, como as Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que tratam do fim da escala 6×1 e da Segurança Pública. Este movimento ocorre após meses de evidente rompimento, indicando uma pragmática aliança de conveniência.
Escândalo do Banco Master Ameaça Estratégia de Alcolumbre
Apesar de suas vantagens, o senador Davi Alcolumbre enfrenta um novo e significativo obstáculo: o escândalo envolvendo o Banco Master. Investigações da Polícia Federal (PF) alcançaram um dirigente da previdência do Amapá, estado de Alcolumbre, nomeado por indicação do próprio senador. Uma proposta de delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, posteriormente rejeitada por ele, adiantou acusações que lançam uma forte sombra sobre a estratégia política do senador. Este desdobramento adiciona um risco considerável à sua candidatura, podendo gerar um desgaste de imagem e dificultar a construção das alianças necessárias.
Rogério Marinho Lidera a Oposição e Busca Crescer com a Direita
Como uma alternativa robusta associada à direita, surge o senador Rogério Marinho (PL-RN). Eleito em 2022, Marinho também possui mandato garantido na Casa até 2031, o que lhe confere estabilidade para a articulação. Marinho atua como líder da oposição no Senado e coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Sua decisão de não concorrer ao governo potiguar em 2022, dedicando-se à estratégia nacional do Partido Liberal (PL), demonstra um foco claro nas dinâmicas de poder em Brasília.
Marinho já disputou a Presidência do Senado em 2023, sendo derrotado pelo então presidente Rodrigo Pacheco (PSB-MG). Agora, ele opera em um cenário potencialmente mais favorável para 2027, impulsionado pela perspectiva de eleição de novos senadores alinhados ao PL e à centro-direita. Uma eventual vitória do seu grupo político e a consolidação da direita no Congresso reforçariam significativamente suas negociações em fevereiro de 2027.
A eleição para a Presidência do Senado na abertura dos trabalhos de 2027 transcende a mera disputa por cargos na Mesa Diretora. Estão em jogo a definição da agenda legislativa, a natureza da relação com o Poder Executivo e o equacionamento de tensões institucionais. O presidente do Senado detém o poder exclusivo de pautar pedidos de impeachment de ministros do STF, uma prerrogativa que confere ao cargo uma dimensão política e institucional imensa.
Tereza Cristina: A Força do Agronegócio e o Ineditismo Feminino
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também se coloca como uma candidata proeminente no tabuleiro. Fora das urnas neste ciclo eleitoral, com mandato garantido, ela foi o primeiro nome a manifestar publicamente a intenção de disputar a Presidência do Senado. Sua prioridade ficou evidente quando foi cotada para ser vice de Flávio Bolsonaro nas próximas eleições, sendo inclusive a preferida de Valdemar Costa Neto, presidente do PL. A recusa por parte de Tereza Cristina sublinha seu foco exclusivo na liderança do Senado.
A ex-ministra da Agricultura durante o governo Bolsonaro apresenta credenciais que a diferenciam de seus concorrentes. Além de sua associação com a direita, possui um trânsito especial e profundo no agronegócio, um setor de peso na economia e na política brasileira. Adicionalmente, uma eventual vitória de Tereza Cristina representaria um marco histórico: ela seria a primeira mulher a chefiar o Senado Federal, agregando um valor simbólico e representativo significativo à sua candidatura, podendo atrair apoios de diversas frentes.
Duelo Alagoano Pode Chegar ao Senado: Renan Calheiros e Arthur Lira
Os outros dois nomes cotados para a presidência da Casa Alta dependem diretamente dos resultados das urnas em outubro de 2026. Renan Calheiros (MDB-AL), senador desde 1995 e com experiência de quatro passagens pela Presidência do Senado, encerra seu mandato em janeiro de 2027 e busca a reeleição. Ele aposta em sua vasta experiência, em suas consolidadas relações com a esquerda e na influência histórica de seu partido, o MDB, para resgatar seu protagonismo na política nacional.
Arthur Lira (PP-AL), por sua vez, precisa trocar a Câmara dos Deputados pelo Senado para entrar efetivamente na disputa com Renan Calheiros, seu maior rival político em Alagoas. Ex-presidente da Câmara e um dos principais articuladores do Centrão, Lira poderia levar para a Casa vizinha sua impressionante rede de caciques partidários, parlamentares e governadores. Essa articulação, forjada ao longo de anos como líder do maior bloco no Congresso, o posicionaria como um candidato de peso, capaz de mobilizar ampla base de apoio.



