O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi liberado para renegociação de dívidas com bancos e instituições financeiras no Novo Desenrola Brasil. Trabalhadores podem acessar parte dos recursos desde a última segunda-feira, 25 de novembro, para quitar ou amortizar débitos. A medida mira reduzir o patamar de inadimplência no país, um problema persistente que afeta milhões de famílias e a economia.
O governo federal projeta movimentar até R$ 8,2 bilhões em recursos do FGTS com a iniciativa, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego.
A modalidade inédita permite o uso de até 20% do saldo do fundo ou o limite de R$ 1 mil, valendo o maior valor disponível.
O Ministério da Fazenda, coordenador do programa, alerta para uma consequência direta: o uso do FGTS suspenderá temporariamente novos saques anuais e antecipações do saque-aniversário até a recomposição total do saldo utilizado. É uma troca para quem busca sanar o nome.
Quem pode usar o FGTS no Desenrola
Esta fase do Desenrola, apelidada informalmente de Desenrola 2.0, foca em um perfil específico de endividado. Podem aderir:
- Trabalhadores formais com renda mensal de até cinco salários mínimos (R$ 8.105, em 2026);
- Aqueles com dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e com atraso entre 91 e 720 dias (cerca de dois anos).
Na lista de débitos aptos à renegociação, entram principalmente dívidas de cartão de crédito, cheque especial e Crédito Direto ao Consumidor (CDC), três dos vilões do endividamento no Brasil.
O saldo para a renegociação já está disponível para consulta no aplicativo do FGTS. Nele, o trabalhador verifica quanto pode usar. Contas ativas e inativas do fundo podem ser acessadas, com prioridade para as inativas na operação.
A ferramenta oferece um fôlego para milhões de brasileiros que, em meio a juros altos e um cenário econômico instável, viram suas dívidas crescerem exponencialmente. Limpar o nome significa retomar o acesso ao crédito e, muitas vezes, à dignidade financeira.
Condições para o pagamento de dívidas
O Novo Desenrola Brasil não apenas permite o uso do FGTS, mas também oferece um conjunto de condições diferenciadas para tornar o pagamento mais acessível. São elas:
- Desconto de até 90% sobre o valor original da dívida;
- Taxa máxima de juros de 1,99% ao mês;
- Prazo de parcelamento que varia de 12 a 48 vezes;
- Possibilidade de consolidar diversas dívidas em uma única operação, simplificando a gestão e o pagamento.
Essas condições visam atrair o maior número de devedores, oferecendo um alívio real frente às taxas praticadas pelo mercado, que muitas vezes aprisionam o consumidor em um ciclo vicioso de juros e atrasos.
Como aderir ao programa
Para o trabalhador interessado, o processo de adesão começa digitalmente. Primeiramente, é necessário autorizar o acesso das instituições financeiras ao saldo do FGTS.
Essa autorização acontece diretamente no aplicativo do FGTS, disponível para dispositivos Android e iOS. O login é feito com Cadastro de Pessoa Física (CPF) e senha da plataforma Gov.br.
Após conceder a autorização no aplicativo, o próximo passo é procurar o banco ou a instituição financeira onde a dívida existe e solicitar a adesão ao programa Desenrola. Não há necessidade de comparecer a agências da Caixa Econômica Federal para concluir a operação.
As instituições financeiras têm até 90 dias para consultar o saldo disponível do trabalhador. O prazo estimado para a formalização online da operação de renegociação é de até 30 dias após essa consulta.
Uma vez concretizada a renegociação, a Caixa Econômica Federal registra as informações e transfere os valores diretamente aos bancos credores. Todo o trâmite, desenhado para ser ágil, visa descomplicar a vida de quem busca sair do endividamento.
Contexto
O endividamento das famílias brasileiras segue como um dos maiores desafios econômicos e sociais do país. Em 2023, o número de inadimplentes atingiu patamares elevados, refletindo um cenário de alta inflação, juros em ascensão e um mercado de trabalho ainda em recuperação lenta após a pandemia. Programas como o Desenrola Brasil buscam desatar esse nó financeiro. Lançado inicialmente sem a opção do FGTS, o programa já permitiu a renegociação de bilhões em dívidas. A inclusão do Fundo de Garantia representa uma nova frente, direcionada a trabalhadores formais, usando um recurso acumulado para promover a regularização e o reequilíbrio financeiro de um segmento específico, mas numeroso, da população.