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Desaceleração nos lançamentos imobiliários em meio à inflação da construção

Mercado imobiliário brasileiro apresenta variações regionais em preços e lançamentos no terceiro trimestre de 2025

Desaceleração nos lançamentos imobiliários em meio à inflação da construção
Construção civil em evidência. Foto: REUTERS/Pilar Olivares

O terceiro trimestre de 2025 mostra desaceleração nos lançamentos imobiliários, influenciada pela inflação no setor de construção.

Desaceleração nos lançamentos imobiliários no Brasil

O ritmo de lançamentos imobiliários no Brasil apresentou uma desaceleração no terceiro trimestre de 2025, influenciado pela pressão da inflação no setor de construção. O Índice de Lançamentos Imobiliários (ILI), desenvolvido pelo DataZAP, revelou que os preços dos lançamentos subiram 1,73%, ligeiramente abaixo do Índice Nacional da Construção Civil (INCC), que registrou alta de 1,98% no mesmo período.

Variações regionais nos preços dos imóveis

Essa inflação impactou a quantidade de lançamentos em diversas regiões, levando a uma dinâmica desigual no mercado. Enquanto cidades como Rio de Janeiro e Campinas registraram valorizações expressivas, outras capitais, como Belo Horizonte e Fortaleza, enfrentaram quedas nos preços. O preço médio dos lançamentos em todo o país alcançou R$ 12.565 por metro quadrado, com Porto Alegre se destacando entre os mercados mais caros, com R$ 16.461 por metro quadrado, seguida por Curitiba com R$ 14.833. O Rio de Janeiro foi o grande destaque, com um crescimento de 15,07%, alcançando R$ 14.387 por metro quadrado.

Motivos para a valorização em Campinas e Rio de Janeiro

Gabriela Domingo, especialista em inteligência de mercado do Grupo OLX, destacou que os motores de valorização em Campinas e Rio de Janeiro diferem. Em Campinas, o aumento foi impulsionado por produtos mais econômicos, que valorizaram cerca de 18%, enquanto no Rio de Janeiro, a demanda se concentrou nos segmentos de médio-alto padrão e luxo. Esse aumento nos lançamentos de faixas de preço mais elevadas reflete uma maior confiança do setor e uma demanda aquecida entre compradores com maior poder aquisitivo.

Desempenho do mercado em São Paulo

Por outro lado, São Paulo, apesar de ser o maior e mais aquecido mercado do país, registrou uma leve queda de 1,03% nos preços trimestrais. A cidade lançou 123 mil unidades nos últimos 12 meses, com um preço médio de R$ 12.884 por metro quadrado e uma valorização anual de 5,70%. Os segmentos de médio-alto e alto padrão também mostraram crescimento, com altas de 6,49% e 6,41%, respectivamente.

Perspectivas para o mercado imobiliário

Apesar do cenário de crédito caro, o setor demonstra resiliência. Gabriela observa que os juros impactam de forma desigual: imóveis de médio e alto padrão são mais afetados, enquanto os segmentos econômico e de luxo mantêm uma demanda aquecida. O ILI indica que mercados como Rio de Janeiro, Porto Alegre e Belo Horizonte continuarão atraindo incorporadoras que buscam projetos de maior valor agregado. A expectativa é que, com a reformulação das regras do crédito habitacional, lançamentos focados na classe média sejam estimulados, especialmente com a previsão de queda da Selic no primeiro trimestre de 2026, o que poderá facilitar o acesso ao crédito nos trimestres seguintes.

Além das novas regras de crédito, que incluem a ampliação do teto do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) para imóveis até R$ 2,25 milhões e a possibilidade de financiamento de até 80% do valor, o mercado imobiliário se prepara para um novo ciclo de lançamentos, promovendo maior flexibilidade no uso do FGTS e atraindo compradores com renda mais alta.

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