Um depoimento crucial, prestado à Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, adiciona elementos explosivos à suspeita de que a acusação de estupro contra o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, foi forjada. Um comerciante do Rio de Janeiro, identificado apenas como “Luiz”, afirma ter presenciado o aliciamento de uma adolescente para incriminar o parlamentar mediante um pagamento de R$ 16 mil.
Esta nova linha de investigação eleva significativamente as apostas em um caso que já envolve figuras políticas de alto escalão e repercute no cenário eleitoral. A possível manipulação de uma acusação tão grave pode ter consequências jurídicas e políticas duradouras para todos os envolvidos.
Testemunha Detalha Suposto Aliciamento e Pagamento de R$ 16 Mil
A peça central desta reviravolta é a declaração de “Luiz”, o comerciante carioca. Em seu depoimento detalhado à Polícia Legislativa, ele descreveu a suposta trama para incriminar o deputado. Segundo suas palavras, ele testemunhou diretamente o aliciamento da adolescente.
O objetivo do aliciamento seria fabricar uma denúncia de estupro, e a recompensa pelo ato seria o vultoso valor de R$ 16 mil. A precisão dos detalhes, incluindo a quantia financeira, fortalece a tese de uma orquestração deliberada para manchar a reputação do deputado Alfredo Gaspar e, por extensão, sua campanha política.
Lindbergh Farias Nega Envolvimento e Exige Prisão de Testemunha
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), cujo nome surgiu no depoimento como um suposto participante de uma teleconferência onde a trama teria sido combinada, reagiu com contundência nesta segunda-feira (10). Ele negou categoricamente qualquer envolvimento, desqualificando as declarações como “picaretagem” e defendendo a prisão imediata da testemunha.
Em uma publicação no X (anteriormente Twitter), feita em resposta a uma reportagem do portal O Antagonista, o parlamentar petista afirmou desconhecer completamente a testemunha e as outras pessoas citadas. “Isso é uma picaretagem. Desconheço os citados e a suposta investigação da Polícia Legislativa. Não conheço os envolvidos e não participei de reuniões para tratar desse assunto”, declarou Lindbergh.
Ainda em sua manifestação, o deputado Lindbergh Farias exigiu ação da Polícia Federal. “A primeira coisa que a Polícia Federal tem que fazer é investigar esse tal ‘tio Luiz’ e prender esse cara. Esse depoimento é inventado e lança mais uma suspeita sobre o Alfredo Gaspar”, concluiu, indicando uma forte contraofensiva às novas acusações.
A Defesa de Alfredo Gaspar e a Versão da História
Desde o surgimento da denúncia original, o deputado Alfredo Gaspar tem refutado consistentemente as acusações de estupro. Ele mantém a posição de inocência e, como prova de sua boa-fé, ofereceu-se para realizar um exame de DNA, buscando afastar qualquer dúvida sobre sua conduta.
A defesa do parlamentar apresenta uma narrativa diferente, alegando que a situação envolveria um primo seu e uma menor de idade, e que a gravidez dela teria resultado de uma relação consensual. Esta versão contraria não apenas a acusação de estupro de vulnerável, mas agora também se choca com a alegação de uma trama forjada contra o deputado.
Origem da Acusação: Conflito Político na CPMI do INSS
A acusação de estupro contra Alfredo Gaspar veio a público no final de março, em um momento estratégico e politicamente carregado. A denúncia foi apresentada justamente durante o encerramento dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que investigava descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Enquanto Gaspar, que atuava como relator do colegiado, apresentava seu relatório final, Lindbergh Farias e a senadora Soraya Thronicke protocolaram a notícia-crime. O timing da ação levantou suspeitas imediatas sobre a motivação, sendo amplamente interpretada como uma tentativa de esvaziar os trabalhos investigativos da CPMI e descreditar o relator em um momento crucial para a comissão.
Esta manobra, vista como um movimento político para desviar o foco da investigação sobre o INSS, indica a intensidade das disputas partidárias e a potencial instrumentalização de denúncias para fins eleitorais ou de desgaste de adversários. A CPMI do INSS era de grande relevância social, e sua conclusão foi ofuscada pela polêmica.
Escalada Judicial e a Intervenção do Supremo Tribunal Federal
A seriedade das acusações e a condição de parlamentar de Alfredo Gaspar levaram o caso a ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e, posteriormente, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A repercussão política da denúncia se amplificou ainda mais após a confirmação de Gaspar como vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, inserindo a questão diretamente na corrida eleitoral.
Diante do cenário complexo e da iminência de um processo eleitoral, o ministro do STF Gilmar Mendes agiu. Ele determinou que Lindbergh Farias e Soraya Thronicke prestassem esclarecimentos sobre a denúncia, estabelecendo um prazo legal de 15 dias para que os parlamentares detalhem as informações que embasaram a notícia-crime. A intervenção do STF ressalta a necessidade de rigor na apuração de alegações que podem impactar a integridade de figuras públicas e o sistema democrático.
Soraya Thronicke Promete Esclarecimentos Dentro do Prazo Legal
Questionada sobre o novo depoimento que levanta a hipótese de a acusação ter sido forjada, a senadora Soraya Thronicke manteve o posicionamento adotado anteriormente. Ela informou que apresentará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes dentro do prazo legal de 15 dias, conforme determinado pelo ministro Gilmar Mendes do STF.
A expectativa é grande sobre quais informações a senadora e o deputado Lindbergh Farias apresentarão para justificar a notícia-crime original, especialmente agora, com o surgimento da testemunha “Luiz” e suas graves alegações de aliciamento e pagamento para forjar a denúncia contra Alfredo Gaspar



