João Figueredo narra experiências de intimidação e condutas abusivas em agência no Rio

João Figueredo, ex-funcionário do Itaú, denuncia assédio moral e sexual sofrido durante um ano de trabalho na agência.
João Figueredo, ex-gerente Uniclass do Itaú Unibanco, denunciou assédio moral e sexual em sua agência no Rio de Janeiro, onde trabalhou por um ano. As revelações, feitas em entrevista ao portal LeoDias, expõem um ambiente de trabalho hostil, marcado por práticas abusivas e intimidações. O ex-funcionário relatou que as investidas começaram com “brincadeiras” e rapidamente evoluíram para situações invasivas e desconfortáveis.
O relato de João Figueredo
Durante o período em que trabalhou na agência, João afirmou ter sido alvo de toques não consentidos, comentários sobre seu corpo e sugestões inapropriadas envolvendo colegas. “Ele já me deu tapa na bunda e brincadeiras com o volume da minha genital eram frequentes. Ele sugeria situações de cunho sexual, como surubas coletivas”, contou João, ressaltando que tais comportamentos eram recorrentes e difíceis de serem enfrentados, especialmente em um ambiente hierárquico como o de um banco.
Além do assédio sexual, João também mencionou que o gestor o seguia nas redes sociais e aparecia sem autorização na agência, o que configurava uma pressão psicológica constante. “Ele ficou o dia inteiro em cima de mim, fazendo perguntas desconfortáveis”, relatou. A situação se agravou a ponto de João e outros seis funcionários denunciarem as práticas antiéticas ao banco no meio de 2024, mas a resposta da instituição foi insatisfatória.
Constrangimentos e consequências
João revelou ainda que a agência enfrentava condições precárias, como a falta de circulação de ar, o que contribuía para um ambiente ainda mais insalubre. Apesar das denúncias, o gestor foi elogiado pela instituição e, após o desligamento de João, ele começou a retaliar os funcionários que relataram as condutas. “Nada foi feito em relação às nossas denúncias. Ele começou a se vingar, transferindo funcionários e me desligando”, disse.
Após seu desligamento, João formalizou uma nova denúncia e esperava que a situação fosse resolvida, mas não obteve retorno satisfatório. “O gestor denunciado foi demitido apenas meses depois, mas nunca recebi um pedido de desculpas ou explicação do banco”, lamentou.
Impacto emocional e busca por justiça
O impacto emocional dessa experiência foi profundo para João, que chegou a considerar a possibilidade de suicídio. Ele relata que começou a fazer terapia e está lidando com as sequelas emocionais e físicas resultantes de sua experiência. Atualmente, afastado pelo INSS, ele luta para retornar ao mercado de trabalho, mas afirma que perdeu o medo de expor sua história. “Não quero correr o risco de passar por isso novamente”, disse.
João também está movendo um processo judicial contra o Itaú, que está em segredo de Justiça. Ele enfatiza que as justificativas oferecidas pela instituição em relação à sua demissão são insuficientes e quer garantir seus direitos.
Resposta do Itaú
Ao ser abordado sobre as denúncias, o Itaú Unibanco se limitou a afirmar que repudia qualquer forma de assédio e que possui canais seguros para denúncias e investigações rigorosas. A instituição não comentou detalhes específicos do caso, mas ressaltou seu compromisso em promover um ambiente de trabalho respeitoso e ético.
João Figueredo, por sua vez, continua a buscar justiça e espera que sua história possa inspirar outros a denunciarem práticas abusivas no ambiente corporativo.