Cerca de 7,7 milhões de contribuintes ainda não acertaram as contas com o Leão. Faltando dois dias para o fim do prazo, o número equivale a 17,4% do total de declarações esperadas pela Receita Federal para o Imposto de Renda Pessoa Física 2026, ano-base 2025.
Até as 18h26 desta quarta-feira (27), a Receita registrava 36.334.887 declarações recebidas, ou 82,6% da projeção de 44 milhões de documentos. A expectativa de um volume maior na reta final se mantém, como é tradição.
Milhões correm contra o relógio.
Dos documentos já entregues, 59,6% darão direito à restituição. Outros 22,1% terão imposto a pagar, e 18,4% não terão saldo devedor nem a receber.
A definição sobre pagar ou restituir impacta diretamente o planejamento financeiro de grande parte da população. Para muitos, a restituição representa um fôlego extra no orçamento, enquanto o pagamento de imposto exige organização e disciplina para evitar surpresas.
A maioria dos contribuintes, 77,8%, optou pelo programa gerador da declaração instalado no computador. O preenchimento online, com rascunho salvo na nuvem da Receita, atraiu 15,6% dos declarantes. Pelo aplicativo “Meu Imposto de Renda”, para celulares e tablets, 6,6% realizaram a entrega.
O uso da declaração pré-preenchida ganhou força. 59,6% dos contribuintes a utilizaram, baixando uma versão preliminar e apenas confirmando ou retificando informações. A opção pelo desconto simplificado foi escolhida por 55,2% dos que já declararam.
Prazo Final e Penalidades
O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda 2026 começou em 23 de março e termina pontualmente às 23h59min59s desta sexta-feira, 29 de maio. O programa para preenchimento está disponível desde 19 de março.
Quem não cumprir a data limite arca com multa. O valor mínimo é de R$ 165,74. Em outros casos, a penalidade chega a 1% do imposto devido por mês de atraso, com o maior valor prevalecendo.
A multa, embora pareça baixa para alguns, pode representar um impacto significativo no orçamento familiar, especialmente para rendas menores. O custo de um erro ou atraso se soma à burocracia do processo.
A obrigatoriedade de declarar atinge pessoas físicas com rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 em 2025. Produtores rurais com receita bruta acima de R$ 177.920 também precisam declarar. Há casos de dispensa, como quem recebeu até dois salários mínimos mensais em 2025, a menos que se enquadre em outro critério de obrigatoriedade.
A complexidade das regras, somada à tradicional cultura brasileira de postergar tarefas, explica a concentração de entregas nos últimos dias. O receio de cometer erros ou a dificuldade em reunir todos os documentos necessários contribuem para o cenário de última hora.
A modernização da Receita Federal, com opções como a declaração pré-preenchida, tenta simplificar o processo. Contudo, a necessidade de revisão cuidadosa persiste, evitando inconsistências que podem levar à malha fina.
Contexto
O Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) é um dos pilares da arrecadação tributária brasileira, vital para o financiamento de serviços públicos e investimentos. Sua história no Brasil remonta ao início do século XX, evoluindo com as transformações sociais e econômicas do país. A cada ano, as regras são ajustadas para refletir novas realidades econômicas, como inflação, ou para simplificar a vida do contribuinte por meio de tecnologias digitais. A campanha anual de entrega da declaração movimenta milhões de brasileiros, que precisam reunir documentos e informações financeiras, marcando um período de intensa atividade para a Receita Federal e para o cidadão.