Ex-presidente da Nicarágua reafirma controle autoritário e aponta Rosario Murillo como sucessora

Daniel Ortega completa 80 anos no poder, reafirmando controle autoritário e nomeando a esposa como sucessora.
Daniel Ortega e seus 80 anos de poder na Nicarágua
Daniel Ortega Saavedra, o ex-comandante da Revolução Sandinista, completou 80 anos na terça-feira (11). Desde 2007, ele se mantém no poder, após uma série de eleições marcadas por denúncias de fraudes. Neste cenário, Ortega parece não ter intenção de restaurar a normalidade democrática no país. Este ano, ele alterou a Constituição para criar o cargo de co-presidente, que agora é ocupado por sua esposa, Rosario Murillo, de 74 anos.
A trajetória de Ortega é repleta de controvérsias. Após sua reeleição em 2016, a Assembleia Nacional, sob seu controle, aboliu limites constitucionais para mandatos presidenciais, transformando seu regime em uma ditadura aberta. A gestão dele é vista como altamente repressiva, repleta de episódios de nepotismo e corrupção. Embora existam mecanismos formais de democracia, a situação no país é marcada por falta de liberdade, competitividade e um clima constante de intimidação.
A repressão e o controle das comunicações
Recentemente, entrou em vigor a Lei Geral de Telecomunicações Convergentes, também conhecida como “Lei da Mordaça”. Esta legislação subordina a infraestrutura de telecomunicações ao controle do governo, permitindo a vigilância em massa sobre os cidadãos. Um dos artigos mais criticados obriga operadores a fornecer informações georreferenciadas, facilitando o monitoramento das comunicações e das atividades online dos usuários.
Essas ações se somam a uma série de medidas que Ortega tomou ao longo dos anos para consolidar seu poder. Ele minou a separação de poderes e estabeleceu um forte controle sobre instituições como as Forças Armadas e a Polícia Nacional, além de influenciar a maior parte dos meios de comunicação.
Eleições contestadas e um regime questionado
Em novembro de 2021, Ortega foi reeleito para um quarto mandato presidencial com 75,9% dos votos, um resultado que gerou desconfiança internacional. A OEA, a CIDH, a ONU e outros organismos consideraram as eleições fraudulentas. O opositor Walter Espinoza, do Partido Liberal Constitucionalista, obteve apenas 14,5% dos votos, em um contexto de repressão e intimidação contra a oposição.
Ortega, que ficou famoso por sua liderança na Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), assumiu o poder inicialmente em 1984, mas foi derrotado nas eleições de 1990. Ele voltou a ser presidente em 2007, e desde então tem adotado uma agenda cada vez mais autoritária.
O legado de uma liderança controversa
O poder de Ortega se consolidou ainda mais com a iniciativa PetroCaribe, que possibilitou a compra de petróleo a preços reduzidos, permitindo a implementação de programas sociais. Contudo, críticas surgiram quanto ao desvio de recursos para empresas de sua família e aliados.
Em 2018, protestos em massa contra uma reforma da previdência social resultaram em uma repressão violenta, com dezenas de mortos. A resposta do governo foi endurecer ainda mais sua postura contra opositores e religiosos, aumentando a tensão no país.
Neste contexto, Ortega não apenas celebra seu aniversário, mas também reafirma seu controle, preparando sua esposa como sucessora e mantendo a Nicarágua sob um regime cada vez mais autoritário.