Falas amenas são sugeridas para não prejudicar relações com os EUA
Aliados de Lula sugerem um discurso mais ameno na cúpula da Celac na Colômbia, prevista para 9 e 10 de setembro, visando não prejudicar relações com os EUA.
Aliados do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pregam falas mais amenas do mandatário na cúpula da Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) junto à União Europeia, que ocorrerá em Santa Marta, na Colômbia, entre os dias 9 e 10 de setembro. Essa abordagem visa não atrapalhar os avanços nas relações do Brasil com a gestão de Donald Trump.
Expectativas e desafios na cúpula
Membros da base de Lula no Congresso reconhecem ser difícil conter o ímpeto do presidente em fazer discursos ideológicos. Nos bastidores, há preocupações sobre uma possível defesa direta do governo venezuelano de Nicolás Maduro, que se encontra em uma fase de tensão militar com os Estados Unidos. A avaliação é de que críticas mais enfáticas aos EUA ou defesas abertas à Venezuela podem abalar a relação ainda frágil com Trump.
Encontros diplomáticos e suas implicações
Há expectativas de que o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se encontre com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na próxima semana, durante uma reunião do G7 no Canadá, continuando os esforços para reverter o tarifaço americano. A cúpula terá como foco o comércio e o combate ao crime organizado, mas o governo Brasileiro também pretende abordar os atritos entre Venezuela e EUA. Mauro Vieira afirmou que Lula manifestará uma “solidariedade regional” ao país vizinho.
A divisão entre os líderes
O anfitrião da cúpula, presidente colombiano Gustavo Petro, está em meio a uma série de trocas de acusações com o governo Trump. Petro foi sancionado pela Casa Branca, acusado de facilitar a atuação de cartéis. Ele acredita que “forças externas à paz nas Américas” estão tentando frustrar o sucesso da cúpula. A situação provoca divisões entre os líderes que participarão do encontro, que veem a participação como um risco à diplomacia com Washington e preferem manter uma certa distância dos temas polêmicos.