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Correios enfrentam rombo financeiro de R$ 6,1 bilhões e afetam contas públicas

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Aumento expressivo das perdas financeiras coloca em xeque a sustentabilidade da estatal

Correios enfrentam rombo financeiro de R$ 6,1 bilhões e afetam contas públicas
Correios (Crédito editorial: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock.com)

Correios acumulam R$ 6,1 bilhões em prejuízo e impactam as contas públicas, com aumento das despesas e queda na receita.

Correios acumulam prejuízo de R$ 6,1 bilhões em 2025

Os Correios, estatal brasileira responsável pela entrega de correspondências e encomendas, registraram um prejuízo acumulado de R$ 6,1 bilhões entre janeiro e setembro de 2025. Este número representa um aumento quase três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior, evidenciando uma deterioração acelerada das contas da empresa, que já acumulava perdas desde 2023. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (28).

Detalhamento das perdas financeiras

No 3º trimestre de 2025, os Correios enfrentaram perdas de R$ 1,7 bilhão, somando-se a um déficit de R$ 4,4 bilhões já contabilizado no primeiro semestre. A receita total da estatal caiu para R$ 12,35 bilhões, uma retração de 12,7% em comparação aos R$ 14,15 bilhões arrecadados no mesmo intervalo do ano anterior. Esse cenário de crise é agravado pelo aumento significativo das despesas gerais e administrativas, que dispararam 53,5%, passando de R$ 3,14 bilhões para R$ 4,82 bilhões. A estatal atribui esse aumento ao avanço de ações trabalhistas desfavoráveis.

Impactos nas contas públicas e no governo

O quadro financeiro dos Correios não apenas afeta a empresa, mas também repercute nas contas públicas. O governo já revisou para cima a previsão de déficit primário dos Correios, que agora deve chegar a R$ 5,8 bilhões em 2025, superando em mais que o dobro a projeção anterior. Este resultado contribui para um saldo negativo de R$ 9,2 bilhões que as estatais federais devem registrar ao final do ano, ultrapassando a meta estipulada.

Reações do governo e planos de reestruturação

O secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, classificou o desempenho da empresa como ‘muito ruim’, informando que a situação ‘causa impacto negativo’ no fechamento fiscal do 5º bimestre. Durigan destacou que há riscos de um contingenciamento maior em 2026 devido ao desempenho insatisfatório da estatal. Além disso, ele mencionou que tem cobrado do presidente dos Correios, Emmanoel Schmidt Rondon, a apresentação de um plano robusto de reestruturação, que inclui a possibilidade de um empréstimo de R$ 20 bilhões por meio de um consórcio de bancos.

Privatização descartada pelo governo

Apesar do aumento dos prejuízos, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, descartou a privatização dos Correios. Em declaração à GloboNews, Haddad afirmou que ‘não há debate dentro do governo sobre privatização’, enfatizando que qualquer apoio financeiro do Tesouro dependerá da apresentação de um plano de reestruturação e de avanços na gestão da empresa, que já acumula 12 trimestres consecutivos de perdas.

Até setembro, o governo já havia indicado que não pretendia realizar aportes diretos para socorrer a estatal, refletindo uma postura cautelosa em relação à situação financeira dos Correios. A combinação de queda nas receitas, aumento expressivo das despesas trabalhistas e dificuldades estruturais para competir na área de logística torna os Correios uma das principais fontes de pressão fiscal sobre o governo Lula. Como resumiu Durigan: ‘Não fossem os Correios, poderíamos estar num cenário um pouco melhor.’

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