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Folha Jundiaiense

Copa impulsiona turismo em favelas do Rio com nova rota especial

Um projeto social transformou o clima da Copa do Mundo em uma rota turística pelas comunidades da Rocinha e do Vidigal, no Rio de Janeiro. A iniciativa, batizada de Copa na Favela, leva visitantes a locais onde o futebol pulsa, culminando na transmissão dos jogos do Brasil. O objetivo central é a integração social e a geração de renda local.

O empreendedor social Renan Monteiro idealizou o projeto. Segundo ele, o passeio começou em um sábado (13), marcando o início da jornada temática. Os jogos do Brasil na primeira fase do torneio foram programados para os dias 13, 24 e 29 de junho, com a promessa de celebração ao fim de cada partida.

A experiência oferece um tour guiado por moradores locais, passando por quadras e espaços esportivos emblemáticos das duas favelas. É um mergulho direto na cultura do futebol que pulsa nessas comunidades.

A rota também inclui uma apresentação cultural do projeto Acorda Capoeira, conectando o esporte com a expressão artística local.

Os turistas participam de uma aula prática de “altinha”. O passatempo típico do Rio de Janeiro, que surgiu entre as décadas de 1950 e 1960, exige manter a bola no ar usando apenas pés, pernas, peito, cabeça e ombro. Uma verdadeira imersão na praia carioca, transposta para a favela.

Outro ponto alto da visita é a chance de participar de uma “pelada” no Castelinho, em Paula Brito, na Rocinha. Ali, visitantes e moradores trocam passes e interagem com Josiel Dalto dos Santos, um morador que chama a atenção pela semelhança com o jogador Vini Jr., da seleção brasileira.

Esta interação transcende a curiosidade. Gera um encontro genuíno, quebra barreiras e humaniza a experiência para ambos os lados.

Ao final de cada passeio, um evento no Mirante da Rocinha encerra a programação. Uma roda de samba embala o público, enquanto um telão transmite as partidas do Brasil. Um clima de festa popular que se estende para além do campo.

O projeto opera especificamente nos dias de jogos da seleção. Monteiro afirmou que a continuidade do Copa na Favela depende do avanço do Brasil no torneio.

O foco em partilhar experiências entre turistas e moradores cria laços, disse o empreendedor. Ele vê no esporte e na cultura ferramentas poderosas para aproximar pessoas e promover inclusão social. É um convite à troca.

Impacto e Público-Alvo da Copa na Favela

A iniciativa de Renan Monteiro, por meio do projeto Na Favela Turismo, demonstra potencial de alcance. Em um mês, a organização chegou a receber mais de 40 mil visitantes. O verão do Hemisfério Norte, período de férias, projeta-se como o melhor resultado para agosto, impulsionando a economia local.

A geração de renda não se limita aos guias turísticos. Comerciantes locais, artesãos e pequenos empreendedores de alimentos e bebidas se beneficiam diretamente do fluxo de turistas, que buscam produtos e serviços autênticos das comunidades.

Este modelo de turismo de base comunitária fomenta uma cadeia produtiva interna, distribuindo o valor gerado entre os próprios moradores. Isso injeta recursos em economias que, muitas vezes, são marginalizadas pelos circuitos turísticos tradicionais.

O perfil do público é variado. A maior parcela de turistas vem da América Latina, incluindo argentinos, chilenos e colombianos, além de muitos brasileiros. Americanos, franceses e italianos também marcam presença, indicando um interesse global.

A diversidade de visitantes reforça a capacidade do projeto de atrair diferentes culturas. Segundo Monteiro, a experiência transcende nacionalidades.

Este intercâmbio cultural é um pilar. Turistas levam consigo uma nova percepção sobre as favelas, desmistificando estereótipos. Moradores, por sua vez, têm contato com diferentes realidades, abrindo novas perspectivas.

A segurança, historicamente uma preocupação em áreas como a Rocinha e o Vidigal, é endereçada pela presença de guias locais e pelo foco na experiência comunitária, buscando construir confiança mútua. A vivência guiada por quem conhece o território é um diferencial.

A ampliação da visibilidade dessas comunidades, através de um evento de porte mundial, ajuda a posicioná-las como destinos legítimos e seguros no mapa turístico do Rio de Janeiro.

Contexto

O turismo em favelas no Rio de Janeiro tem crescido como uma alternativa aos roteiros tradicionais. Projetos como o Na Favela Turismo buscam oferecer uma visão autêntica da vida comunitária, promovendo a troca cultural e a geração de renda local. A inspiração em eventos como a Copa do Mundo serve para catalisar este movimento, atraindo um público maior e diversificado, ao mesmo tempo em que desafia preconceitos e estigmas associados a essas regiões.

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