Versões iniciais de acordos geram frustração por omissão de tema crucial

Rascunhos da COP30 não citam a redução da dependência de combustíveis fósseis, gerando insatisfação entre delegações.
COP30 e a omissão sobre combustíveis fósseis
As primeiras versões dos acordos que serão firmados nesta sexta-feira (21) durante o encerramento da COP30 deixaram de fora qualquer menção sobre reduzir a dependência dos combustíveis fósseis — um tema central da conferência. O documento, chamado de “Decisão Mutirão” pela presidência, aborda compromissos sobre financiamento climático e transição energética, mas ignora um roteiro claro para o abandono dos combustíveis fósseis.
A falta de um plano claro
Embora a última versão divulgada mencione a necessidade de uma transição energética, ela falha em indicar caminhos específicos ou abordar o problema fundamental. Um trecho do documento ressalta que a transição global para reduzir as emissões de gases de efeito estufa é uma tendência irreversível, mas sem uma estrutura definida. André Corrêa do Lago, um dos participantes, afirmou que a paralisação nas negociações pressiona as delegações e mantém impasses sobre o tema.
Reações das delegações
Na noite de quinta-feira (20), mais de 30 países se manifestaram contra a presidência da conferência, declarando que não apoiariam um texto final que não incluísse o debate sobre uma transição global que reduza a dependência dos combustíveis fósseis. Em coletiva de imprensa, Juan Carlos Monterrey-Gómez, dirigente da ONU, criticou os documentos da COP30, afirmando que até crianças em idade escolar têm acesso a textos mais relevantes e fundamentados.
Demandas por justiça climática
Velez-Torres, um dos líderes presentes, enfatizou que a COP30 não pode encerrar sem um plano claro e equitativo para a eliminação gradual global dos combustíveis fósseis. Ele destacou que a responsabilidade moral dos líderes é ecoar as demandas por justiça climática, sublinhando a urgência de um compromisso verdadeiro com a redução dos combustíveis fósseis.
A transição justa
O conceito de transição justa para uma economia de baixo carbono foi um dos destaques nas primeiras versões dos textos. Foi mencionado que essa transição deve ser equitativa, inclusiva e adaptada à realidade de cada país signatário. O sucesso dessa iniciativa, no entanto, depende da mobilização de cooperação internacional ao redor desse objetivo.
Mitigação da crise climática
Outro ponto relevante no documento é a necessidade de aumentar os esforços em torno de Ações de mitigação da crise climática nesta década. O objetivo é manter o aquecimento global abaixo dos 2 °C, enfatizando a urgência das ações a serem implementadas.
Desafios estruturais
Por fim, o documento aborda os desafios estruturais impostos pela limitação dos financiamentos atuais e a falta de cumprimento da meta de mobilização de US$ 300 milhões anuais. Um trecho também menciona que o Fundo para Resposta a Perdas já aponta prioridades para 2026, incluindo políticas de pequenos subsídios e estratégias para mobilização de recursos.
A COP30, portanto, enfrenta críticas severas por sua abordagem ao tema dos combustíveis fósseis e a necessidade de um plano eficaz e justo para garantir um futuro sustentável.