Na cúpula climática, proposta retira menções ao afastamento dos combustíveis fósseis

Brasil divulga esboço de acordo para a COP30, retirando proposta de transição de combustíveis fósseis.
Na manhã de sexta-feira (21), o Brasil, sede da COP30, divulgou um esboço de acordo que surpreendeu ao retirar a proposta de desenvolvimento de um plano global para a transição dos combustíveis fósseis. Essa decisão ocorre em meio a intensas discussões entre quase 200 governos que participam da conferência na cidade amazônica de Belém. A queima de combustíveis fósseis é uma das principais responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa, que aceleram o aquecimento global.
Durante os dias de negociações, as nações participantes debateram amplamente sobre o futuro dos combustíveis fósseis. Uma versão inicial do esboço incluía opções sobre como os países poderiam se distanciar desse tipo de energia. No entanto, o novo texto, apresentado antes do amanhecer, excluiu todas as menções a combustíveis fósseis, o que gerou críticas e preocupações sobre a falta de compromisso em relação a uma transição energética.
Pressões de países em desenvolvimento
Diversos países, incluindo Alemanha, Quênia e nações insulares de baixa altitude, têm pressionado por um ‘roteiro’ que defina claramente como seguir a promessa feita na COP28 de dois anos atrás de afastar-se dos combustíveis fósseis. Contudo, a Arábia Saudita e outros países produtores de petróleo se opõem a essa proposta, evidenciando as tensões entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento nas negociações climáticas. A falta de uma abordagem clara para a transição pode resultar em descontentamento entre os países mais vulneráveis às mudanças climáticas.
Financiamento para adaptação às mudanças climáticas
Além das controvérsias sobre combustíveis fósseis, o esboço do acordo também propõe um aumento significativo no financiamento global destinado a ajudar as nações a se adaptarem às mudanças climáticas. O objetivo é triplicar esse financiamento até 2030, em comparação com os níveis de 2025. Contudo, a falta de clareza sobre a origem desses recursos gera incertezas. Países mais pobres esperam garantias de que o financiamento público será utilizado efetivamente para enfrentar os desafios climáticos.
Os investimentos em adaptação, como na melhoria da infraestrutura e na construção de edifícios resistentes a desastres naturais, são cruciais para salvar vidas, mas apresentam baixo retorno financeiro, dificultando a atração de capital privado. A ausência de garantias pode, portanto, prejudicar os esforços de adaptação necessários para mitigar os impactos das mudanças climáticas.
Diálogo sobre comércio e mudanças climáticas
O esboço também sugere um ‘diálogo’ nas próximas três cúpulas climáticas sobre questões comerciais, envolvendo governos e outros atores, incluindo a Organização Mundial do Comércio. Essa proposta é vista como uma vitória para países como a China, que há muito defendem que as preocupações comerciais sejam integradas ao debate climático global. No entanto, essa abordagem pode ser desconfortável para a União Europeia, que enfrenta críticas relacionadas à taxa de fronteira de carbono.
Conclusão
O esboço de acordo da COP30 ainda está sujeito a negociações e precisará ser aprovado por consenso para ser adotado. A conferência, que deve terminar ainda na sexta-feira, pode se estender até o fim de semana, seguindo o padrão comum das discussões climáticas anuais. A ausência de um compromisso claro em relação aos combustíveis fósseis e a falta de garantias financeiras podem marcar a COP30 como um evento controverso e decisivo para o futuro das políticas climáticas globais.