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Conflito entre países ricos e em desenvolvimento molda a COP30

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Tensões sobre financiamento climático e metas de emissões marcam evento em Belém

Conflito entre países ricos e em desenvolvimento molda a COP30
COP30 acontece em Belém, no Pará, entre 10 e 21 de novembro • Foto: Sergio Moraes/COP30

A COP30 em Belém é marcada por disputas entre países ricos e em desenvolvimento sobre financiamento e metas climáticas.

O embate em torno da COP30, que ocorre em Belém, no Pará, é um reflexo das tensões históricas entre países ricos e em desenvolvimento. Esse conflito poderá definir o sucesso ou o fracasso da conferência, que se destaca por quatro questões que estão fora da agenda oficial: medidas unilaterais de protecionismo verde, a ambição das metas climáticas, os relatórios de transparência e, crucialmente, o financiamento climático.

Os países desenvolvidos, especialmente os Estados Unidos e nações europeias, são os maiores emissores de gases de efeito estufa e, portanto, têm a responsabilidade moral de ajudar a financiar a transição e adaptação no Sul Global. O princípio de responsabilidades comuns, mas diferenciadas, é central nas COPs. Em 2009, na cúpula de Copenhague, países desenvolvidos prometeram mobilizar US$100 bilhões anualmente para apoiar os países em desenvolvimento, compromisso que se formalizou em Paris, mas que nunca foi cumprido integralmente.

Recentemente, na COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, os países ricos concordaram em aumentar as contribuições, com um compromisso de US$300 bilhões até 2035 e uma meta futura de US$1,3 trilhão por ano. Esse valor é visto como o necessário para adaptação e mitigação no Sul Global, e sua inclusão nas negociações transformou a dinâmica da conferência. No entanto, a falta de consenso sobre as formas de financiamento—se por doações, empréstimos ou investimentos privados—permanece um tema de grande disputa.

Os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, expressam preocupações sobre promessas não cumpridas. A memória do financiamento de US$100 bilhões não concretizados gera desconfiança e receio de que os compromissos mais ambiciosos se tornem apenas metas inflacionadas, sem garantias concretas de investimentos públicos. Além disso, cresce a preocupação com o que é chamado de “protecionismo verde”, onde regras ambientais impostas por grandes mercados, como a união europeia, podem restringir o acesso ao mercado global, penalizando países com menor capacidade tecnológica.

Outro aspecto em debate são as metas de ambição climática, que têm sido utilizadas pelos países desenvolvidos para exigir compromissos mais rigorosos de todos. O mesmo se aplica aos relatórios de transparência, que devem acompanhar apoio financeiro e técnico, permitindo que os países do Sul Global cumpram suas obrigações sem riscos de penalizações comerciais.

A presidência da COP tenta ganhar tempo, estendendo as conversas até o fim de semana, na esperança de encontrar um consenso. Contudo, a necessidade de avanços concretos é imperativa, uma vez que a COP30 corre o risco de se tornar mais uma conferência de intenções sem resultados efetivos, comprometendo a confiança no multilateralismo climático.

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