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Folha Jundiaiense

Comissão de Ética de São Paulo recomenda suspender presidente do Conselho

Olten Ayres de Abreu, presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo Futebol Clube, enfrenta um processo disciplinar que pode culminar em sua expulsão definitiva do quadro de sócios. A partir de agora, Ayres tem garantido o direito à defesa antes que a votação final ocorra no Conselho. Caso a maioria qualificada seja atingida no plenário, a sanção máxima será aplicada, gerando um impacto significativo na governança do tricolor paulista.

A situação escalou após uma petição formal que aponta manobras e desrespeito ao estatuto do clube por parte do mandatário. As acusações centrais giram em torno da gestão de um parecer crítico sobre a alteração do quórum necessário para modificações estatutárias profundas, como a aprovação de uma Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

Acusações de Desrespeito ao Estatuto Social e Retenção de Parecer

A petição, apresentada em dezembro pelo ex-presidente Julio Casares, detalha a conduta de Olten Ayres que, segundo os signatários, ignorou os procedimentos regimentais. O cerne da denúncia reside na acusação de que Ayres recebeu um parecer negativo referente a uma proposta de alteração do quórum – o número mínimo de votos necessários – para mudanças no Estatuto Social do São Paulo FC. Tal parecer, emitido pela Comissão Legislativa do clube, deveria ter sido encaminhado para ciência de todos os membros do Conselho Deliberativo, o que não ocorreu.

A proposta de alteração de quórum é uma questão sensível, especialmente quando se trata de decisões estratégicas como a eventual transformação do clube em SAF. A aprovação de uma SAF implica em uma reestruturação profunda da gestão e das finanças do São Paulo FC, demandando transparência e amplo debate entre os conselheiros e sócios.

O Parecer da Comissão Legislativa Ignorado

Documentos internos revelam que a comissão legislativa do São Paulo FC se posicionou contrariamente à alteração de quórum proposta. De acordo com o estatuto, após receber tal parecer, Olten Ayres tinha a obrigação de enviá-lo formalmente para a ciência do Conselho Deliberativo. A não comunicação impediu que os conselheiros tivessem acesso a uma análise técnica relevante, privando-os de informações cruciais para futuras deliberações.

A suposta omissão da informação levanta questões sobre a transparência na condução dos trabalhos do Conselho e o cumprimento das normas internas que regem a administração do clube. Este incidente específico é central para a argumentação que sustenta o pedido de suspensão e eventual expulsão de Ayres.

A Defesa de Olten Ayres: “Manobra Política” e “Extemporaneidade”

Em contato com a reportagem, Olten Ayres de Abreu refutou veementemente as acusações, classificando o pedido como “infundado”. O presidente do Conselho Deliberativo declarou que se trata de uma “manobra política” orquestrada por seus opositores, em resposta a posicionamentos recentes que ele adotou dentro do próprio Conselho. Sua defesa foca na temporalidade e no escopo do parecer da comissão legislativa.

Ayres explicou sua versão dos fatos: “O parecer da comissão legislativa tinha que ser emitido em 30 dias e, logo após ter sido nomeada a comissão de reforma estatutária e três meses após o prazo expirado, foi encaminhado um parecer não sobre o conteúdo do pedido de reforma, mas um conteúdo mais amplo, se opondo a qualquer tipo de reforma. Quando então, pela extemporaneidade do parecer, ele não foi acatado, mas devolvido à comissão. Então, uma nova comissão foi nomeada”, afirmou Olten Ayres ao UOL.

A tese de defesa de Ayres sugere que o parecer foi produzido fora do prazo regulamentar, três meses após o limite estabelecido. Além disso, o documento teria um caráter excessivamente abrangente, opondo-se a qualquer tipo de reforma estatutária, e não apenas à específica alteração de quórum em questão. Este seria o motivo pelo qual ele não acatou o parecer, devolvendo-o à comissão e, posteriormente, nomeando um novo grupo de trabalho.

Essa alegação de “extemporaneidade” do parecer é um ponto crítico. Se a análise foi de fato apresentada tardiamente e de forma genérica, o ato de Ayres de não a submeter ao Conselho poderia ser interpretado como uma decisão gerencial, e não uma infração estatutária. No entanto, caberá ao Conselho analisar a validade dessa justificativa frente à denúncia formalizada.

Nova Comissão para Discutir Mudanças no Estatuto: Prazo e Composição

Em meio à turbulência, Olten Ayres anunciou, no fim do mês passado, a criação de uma nova comissão especificamente dedicada a discutir e propor mudanças no Estatuto Social do São Paulo FC. Este grupo tem um prazo considerável, até 15 de maio de 2026, para apresentar suas propostas de reforma. A iniciativa aponta para a percepção de que o estatuto atual demanda atualizações para atender aos desafios e às necessidades do futebol moderno.

A composição desta nova comissão inclui nomes de peso, como o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Rogério Caboclo. Atualmente, Caboclo é conselheiro vitalício do São Paulo FC, e sua inclusão no grupo de trabalho adiciona uma camada de experiência e conhecimento sobre gestão esportiva e governança. Além dele, a comissão conta com outros integrantes “da casa”, ou seja, com histórico e ligação direta com o clube, o que pode garantir uma perspectiva alinhada aos valores e à cultura são-paulinos.

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