O governo colombiano formalizou nesta quarta-feira (12) a aceitação de apoio para operações de busca e resgate de apenas quatro países – Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador – em resposta ao forte terremoto que devastou o país. A decisão, anunciada por David Tamayo, diretor da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), foca em equipes especializadas que cumprem rigorosas normas internacionais, gerando debate sobre os critérios de escolha em meio à urgência humanitária.
A medida limita significativamente o volume de auxílio externo direto em um momento crítico, logo após um sismo de magnitude 7,4 que deixou um rastro de destruição. A estratégia colombiana prioriza a qualidade e a padronização das equipes, visando otimizar a coordenação com os esforços locais já em andamento, mas levanta questionamentos sobre a abrangência da resposta humanitária e a capacidade de aceleração do resgate.
Critério Técnico e o Posicionamento da UNGRD
David Tamayo, líder da Unidade Nacional de Gestão de Riscos e Desastres (UNGRD), detalhou que a escolha das nações parceiras seguiu um critério técnico estrito. Segundo Tamayo, a preferência por equipes reconhecidas pelo sistema internacional é fundamental para garantir a eficácia e a segurança das operações. A justificativa central reside na necessidade de evitar o desgaste dos profissionais colombianos e assegurar que o auxílio recebido esteja alinhado com os mais altos padrões de resposta a desastres.
A diretriz da UNGRD estipula que as equipes estrangeiras devem se revezar com os grupos de busca e resgate colombianos já mobilizados. Esta rotação é vista como crucial para manter a capacidade operacional contínua em uma situação de emergência prolongada. Tamayo foi enfático ao declarar: “Só aceitaremos apoio de países que possam nos garantir equipes de busca e resgate reconhecidas pelo sistema internacional”. Este posicionamento visa garantir que a expertise e o equipamento tragam um valor agregado real, evitando a mobilização de grupos não qualificados que poderiam, paradoxalmente, complicar os trabalhos de resgate.
A exigência por certificação internacional implica que as equipes de resgate possuem treinamento padronizado, equipamentos específicos e protocolos de ação validados globalmente. Isso facilita a interoperabilidade com as forças locais e otimiza a alocação de recursos em um cenário de caos. A decisão, portanto, busca maximizar a eficiência em detrimento de uma abordagem mais ampla de aceitação de qualquer oferta de ajuda, mesmo que isso signifique uma menor quantidade de equipes em campo.
Controvérsia Política e o Início da Gestão Abelardo de la Espriella
A decisão de aceitar apoio exclusivo de Estados Unidos, Israel, El Salvador e Equador gerou uma camada adicional de controvérsia. Observadores apontam que os governos dessas quatro nações mantêm um notável alinhamento político com a gestão de Abelardo de la Espriella, que assumiu a presidência colombiana apenas na semana anterior ao desastre. Este fato, somado à seletividade da ajuda, levantou suspeitas de motivações partidárias na escolha dos parceiros internacionais para a resposta humanitária.
Em um esforço para dissipar tais especulações, o chanceler Omar Bula Escobar negou veementemente qualquer viés ideológico na seleção. O ministro das Relações Exteriores sustentou que a cooperação com outras nações em momentos de crise é pautada exclusivamente por critérios técnicos e humanitários, sem qualquer influência política ou partidária. A transparência na gestão da ajuda internacional é crucial para a credibilidade do novo governo, especialmente em seu primeiro grande desafio após a posse.
A posse de Abelardo de la Espriella na semana anterior ao terremoto coloca seu governo em uma prova de fogo imediata. Gerir uma crise de tamanha magnitude nos primeiros dias de mandato exige não apenas coordenação eficiente, mas também a construção de confiança tanto interna quanto externamente. A forma como a ajuda internacional é gerida pode moldar a percepção pública sobre a capacidade de liderança e a independência do novo governo em situações de emergência.
Impacto Humanitário e a Revisão do Balanço de Vítimas
O tremor, de magnitude 7,4 na escala Richter, teve seu epicentro na cidade de San José del Palmar, no departamento de Chocó, uma região historicamente vulnerável a fenômenos sísmicos. A intensidade do abalo foi tamanha que o terremoto foi amplamente percebido em diversas e populosas regiões do território colombiano, incluindo as capitais Bogotá e Medellín, além de cidades como Quibdó, Manizales, Pereira e Cali. Essa ampla percepção sugere uma vasta área de impacto potencial, demandando uma avaliação rápida e abrangente dos danos.
O balanço oficial de vítimas passou por uma revisão significativa nesta quarta-feira, um processo comum em grandes desastres. O número de mortos foi atualizado, diminuindo de 254 para 233. Esta alteração substancial decorreu de uma auditoria minuciosa realizada pela prefeitura de Cali na noite anterior, que reduziu seu registro local de vítimas fatais de 95 para 74. Tais revisões ocorrem frequentemente em estágios iniciais de uma crise, à medida que a confusão diminui e os dados se tornam mais precisos, por vezes corrigindo duplicações ou informações preliminares imprecisas.
Apesar da redução no número de mortos confirmados, o panorama humanitário permanece grave. O governo colombiano estima que cerca de 3 mil pessoas estão desaparecidas, um número que ressalta a escala do desafio de busca e salvamento e a angústia de milhares de famílias. Além disso, foram contabilizados mais de 150 feridos, que sobrecarregam os sistemas de saúde locais, e aproximadamente 3,5 mil famílias desabrigadas. Esta vasta população necessita de abrigo emergencial, alimentos, água potável, assistência médica e apoio psicossocial, elevando a urgência da resposta humanitária tanto das autoridades locais quanto da ajuda internacional.
A magnitude da destruição e o elevado número de deslocados indicam que o terremoto na Colômbia não é apenas uma crise imediata de busca e resgate, mas também um vasto desafio de recuperação e reconstrução a médio e longo prazo. As necessidades das 3,5 mil famílias desabrigadas vão desde a moradia temporária até o apoio para reconstruir suas vidas, o que exigirá um esforço coordenado e sustentado de todas as esferas do governo e da cooperação internacional.



