Jerome Cadier acredita que o Senado pode reverter decisões que impactam tarifas aéreas

Jerome Cadier, CEO da Latam Brasil, vê com otimismo a possibilidade de o Senado barrar o PL das bagagens.
CEO da Latam Brasil se mostra otimista sobre o PL das bagagens
O CEO da Latam Brasil, Jerome Cadier, manifestou um otimismo cauteloso em relação ao Projeto de Lei 5.041/2025, que foi aprovado pela Câmara e busca restabelecer a gratuidade de bagagens despachadas. Durante uma entrevista, Cadier enfatizou que o Senado terá uma oportunidade única de analisar as implicações desse projeto, que inclui novas obrigações para as companhias aéreas.
Cadier destacou que a decisão do Senado é crucial, pois órgãos como o Ministério da Fazenda e a Anac possuem argumentos sólidos contra o avanço do PL. “O Senado vai ter tempo para entender e ler as manifestações de órgãos como o Ministério da Fazenda, Anac e Ministério de Portos e Aeroportos, que têm argumentos muito sólidos para que esse PL não avance”, disse ele. O executivo também apontou que esse movimento é um desalinhamento em relação às práticas globais.
Impactos nas tarifas aéreas
Um dos principais pontos de preocupação de Cadier é a obrigatoriedade de incluir bagagens nas tarifas, o que, segundo ele, eliminaria a possibilidade de preços mais baixos. “A tarifa mais básica vai desaparecer e sobrarão apenas as mais caras. É muito simples”, comentou durante a COP30. Além disso, o projeto proíbe a cobrança pela escolha de assentos padrão e estabelece regras que podem complicar a operação das companhias aéreas.
Críticas ao projeto
Cadier não foi o único a criticar o PL. A Associação de Transporte Aéreo Internacional (Iata) e a Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta) também expressaram preocupações, classificando o texto como um “retrocesso histórico”. Ambas as entidades alegam que o projeto pode encarecer as viagens e reduzir a conectividade no Brasil. De acordo com Cadier, se o objetivo é proteger o passageiro, as medidas do PL podem ter o efeito oposto.
O que esperar do Senado
As associações do setor aéreo pedem que o Senado reconsidere o projeto e promova um diálogo mais estruturado com as companhias. Segundo Peter Cerdá, vice-presidente regional da Iata para as Américas, as novas regras apenas adicionariam custos e reduziriam a eficiência operacional, afastando o Brasil das melhores práticas internacionais e diminuindo sua atratividade como hub regional.
Em resumo, a discussão em torno do PL das bagagens está longe de ser encerrada, e a posição do Senado será determinante para o futuro das tarifas aéreas no Brasil e para a saúde do setor como um todo.