A Agência Nacional de Águas (ANA) confirmou: o Sistema Cantareira operará na Faixa 2 – Atenção durante todo o mês de junho. A medida restringe a captação de água dos rios e reservatórios paulistas, inserindo-se no período seco que se estende até novembro.
A decisão impõe à Sabesp, companhia de água de São Paulo, um limite de captação de 31 m³/s. O volume é menor que os 33 m³/s considerados normais para o sistema.
Essa diferença, pequena em números, significa um esforço contínuo para equilibrar os níveis dos reservatórios que compõem as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ).
Localizado ao norte e nordeste da região metropolitana de São Paulo, o Cantareira não é apenas um sistema de abastecimento. Ele é o maior dos sete conjuntos que servem a capital e outros 37 municípios, respondendo por cerca de metade do volume de água disponível para uma população que ultrapassa os 20 milhões de habitantes.
Manter a Faixa 2, portanto, reflete uma cautela necessária, visando a segurança hídrica da metrópole em um momento de baixa precipitação.
ANA e a SP Águas, agências reguladoras, intensificam o apelo para a gestão da demanda. Isso se traduz na necessidade de reduzir o consumo de água, combater as perdas na distribuição e estimular o uso racional pela população e pelos demais usuários.
A Sabesp, por sua vez, mantém ações de diminuição de perdas que incluem a redução da pressão da água na rede em determinados períodos do dia. Essa prática, iniciada na estiagem do ano passado, tenta proteger os volumes armazenados e minimizar a evaporação.
O estado age preventivamente.
A probabilidade de ocorrência do fenômeno El Niño neste ano eleva a preocupação com o agravamento das secas. Históricamente, o El Niño pode alterar o padrão de chuvas no Sudeste do Brasil, tornando-o mais irregular e, em certos períodos, deficiente para a recuperação dos reservatórios.
Fiscalização Contra Queimadas no Interior
Em paralelo à gestão hídrica, outra frente ambiental ganha destaque. Uma operação coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e batalhões da Polícia Militar Ambiental encontrou irregularidades em 179 locais.
A ação focou na prevenção de incêndios e queimadas no interior do estado.
As autoridades lavraram 639 Termos de Vistoria Ambiental e registraram cinco boletins de ocorrência. Os trabalhos incluíram a checagem das condições de manutenção dos aceiros, as faixas sem vegetação que agem como barreiras naturais para conter o avanço do fogo.
Também verificaram a situação das faixas de domínio às margens de estradas e linhas férreas, pontos críticos para a propagação de chamas.
No setor sucroalcooleiro, a fiscalização avaliou os planos de prevenção a incêndios e a efetividade das medidas adotadas pelas usinas. O segmento, com vastas áreas de plantio, é tradicionalmente afetado por queimadas, muitas delas criminosas ou acidentais.
O programa de prevenção de incêndios e queimadas foi aprimorado em 2024. A decisão veio após as lavouras de cana-de-açúcar sofrerem incêndios de grande extensão em anos anteriores, com a fumaça atingindo cidades do interior e a própria capital paulista.
A poluição do ar resultante afeta a saúde pública, causa transtornos respiratórios e prejudica a visibilidade, além de impactos ambientais severos.
Desde então, órgãos de fiscalização ambiental, a Defesa Civil e outras instituições atuam de forma integrada. O objetivo é evitar a repetição do cenário, protegendo a população e o meio ambiente das consequências das queimadas descontroladas.
Contexto
Os desafios hídricos e de gestão ambiental, como a prevenção de queimadas, são pautas recorrentes em São Paulo e no Brasil. A manutenção do Sistema Cantareira em estado de atenção e as operações contra incêndios refletem uma estratégia de adaptação e mitigação diante das mudanças climáticas e da crescente demanda por recursos. A seca e as queimadas impactam diretamente a segurança hídrica, a saúde pública, a agricultura e a biodiversidade, exigindo ações contínuas de monitoramento, fiscalização e conscientização para garantir a sustentabilidade a longo prazo.