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Campinas Design 2026 redefine o sensorial e as memórias físicas

Em um mundo cada vez mais ditado por algoritmos e telas, onde a experiência digital parece dominar, um movimento em Campinas se propõe a resgatar o que há de mais intrínseco à nossa existência: os sentidos.

Entre os dias 20 e 29 de outubro, a Semana Design Campinas mergulha no conceito de “design dos sentidos”, convidando o público a uma reconexão profunda com a memória, as emoções e as sensações físicas, desafiando a supremacia do virtual e da inteligência artificial.

O Toque Humano na Era Digital

Chegando à sua oitava edição, o festival se estabelece como um ponto de encontro para a vanguarda da arquitetura e do design no interior paulista. O Galleria Shopping será o epicentro desta imersão, sediando a abertura e parte significativa da programação.

A pauta central é clara: a tecnologia, apesar de inegavelmente útil, não pode suplantar a dimensão humana do design. Objetos e espaços ganham vida e valor sentimental através da emoção e do toque humano, elementos que a inteligência artificial, por mais avançada que seja, não consegue replicar.

O cheiro de um material, a textura de uma superfície, a particularidade de um detalhe que captura o olhar — estas são as experiências sensoriais que o evento busca celebrar. Elas são a essência de um design feito por pessoas, guardado na memória e carregado de afeto.

Lenine Faria, um dos organizadores, sintetiza a filosofia desta edição. “Queremos colocar em evidência aquilo que muitas vezes não é mensurável: a memória, o afeto, os sentidos e a relação emocional que construímos com os espaços e os objetos”, explica ele, reforçando a busca por um ambiente de troca e conteúdo.

A identidade visual, assinada pelo artista plástico Rogério Pedro, ecoa essa premissa. Suas ilustrações traduzem poeticamente os ícones dos sentidos humanos, em uma homenagem à autoria e ao trabalho manual, pilares do design que resistem ao tempo e à digitalização.

Impacto na região

Mesmo com foco em Campinas, a Semana Design Campinas irradia sua influência por toda a região metropolitana e cidades vizinhas, como Jundiaí. A vanguarda em arquitetura e design apresentada no evento dita tendências que se manifestam em projetos residenciais, comerciais e de interiores que chegam até os moradores locais.

Profissionais de Jundiaí e cidades adjacentes têm acesso a um conteúdo de ponta, conexões estratégicas e a oportunidade de observar de perto as inovações que moldarão o setor. Isso se traduz em soluções mais modernas, funcionais e, principalmente, humanas para casas, escritórios e empreendimentos da região, impactando diretamente a qualidade de vida e a estética dos espaços urbanos e residenciais.

A cultura do design e a valorização do “feito à mão” estimulam também o mercado local de artesãos, marceneiros e fornecedores de materiais, gerando um efeito multiplicador na economia criativa da macrorregião.

Conexões e Tendências: O Calendário da Semana

A abertura oficial, o Design Open Day, está marcada para 20 de outubro no Sky Galleria, com uma agenda repleta de conversas essenciais. Nomes de peso abordarão temas como memória, identidade, cores e as projeções do design para 2027.

O arquiteto Paulo Azevedo, por exemplo, discutirá o “Valor Sentimental”, tema que explorou com maestria em seu ambiente “Memórias Costuradas em Uso” na CASACOR São Paulo 2026. A dinâmica familiar do design será representada por Dado e Gui Castello Branco, pai e filho, que juntos revelarão o “Legado Criativo” de sua trajetória.

Para fechar o primeiro dia, as arquitetas Deborah Roig, Rita Diniz e Lorena Barros conduzirão um talk sobre “Cor, Matéria e Forma: entre o atemporal e o novo”, desvendando as relações entre a estética contemporânea e os materiais que a compõem.

Programação Ampliada pela Cidade

Após a abertura, de 21 a 29 de outubro, a Semana Design Campinas se espalhará por diversos pontos da cidade. Instituições e marcas parceiras apresentarão novos conceitos, antecipando tendências e convidando o público a uma verdadeira imersão criativa.

Entre os destaques, palestras como “Luz de verdade, Luz para viver, Biofilia de verdade: quando iluminar é cuidar”, com Fernanda e Celso Tissot na Bonaluce Iluminação. Haverá também a abertura da exposição “O design da matéria-prima” na Flamboyant Mármores, seguida de um talk sobre o uso de elementos naturais na arquitetura e no design.

A programação inclui ainda discussões sobre “Luz e Emoção: fotografia e design sensorial” com Favaro Jr. na Saint Germain, e “Sergio Rodrigues: o legado da marcenaria artesanal” com Joana Estellita na Artzzi. A grade completa, com horários e locais detalhados de cada painel e exposição, pode ser acessada no Guia Oficial digital do evento, disponível no site oficial.

Trata-se de uma oportunidade única para profissionais, estudantes e entusiastas de acompanhar o que há de mais relevante no cenário do design, sem custo de inscrição, e se inspirar nas diversas formas de pensar e viver os espaços.

A Longa Jornada do Design Humanizado

A proposta da Semana Design Campinas de focar nos sentidos e na experiência humana não é um fenômeno isolado, mas sim um reflexo de uma evolução cultural mais ampla. Por décadas, o design foi majoritariamente pautado pela funcionalidade e pela estética, com um viés muitas vezes industrializado e padronizado.

No entanto, com o advento da sociedade de consumo e, mais recentemente, da ubiquidade digital, a percepção do que um objeto ou espaço representa mudou. As pessoas buscam cada vez mais uma conexão pessoal, uma narrativa, um valor intangível que transcenda a mera utilidade.

Essa busca por autenticidade e por uma vivência mais rica se intensificou à medida que a vida digital se tornou mais predominante. O contraste entre a frieza de uma tela e a materialidade de um objeto bem feito, carregado de história, nunca foi tão evidente. O design, nesse contexto, torna-se um mediador entre esses dois mundos.

Hoje, o design que realmente importa é aquele que evoca memória, que proporciona bem-estar e que se conecta com a essência humana. Eventos como este em Campinas são cruciais para reafirmar essa prioridade, garantindo que, mesmo com todo o avanço tecnológico, o afeto e a sensibilidade permaneçam no centro da criação.

É uma lembrança de que o futuro do design não se constrói apenas com inovação técnica, mas com a capacidade de tocar e enriquecer a vida das pessoas de maneiras que algoritmos jamais conseguirão simular.

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