Estratégia fora do octógono impulsionou Caio Borralho no UFC após revés
O peso-médio (84 kg) do UFC Caio Borralho vive um momento de destaque na carreira, marcado por performances consistentes e um jogo cada vez mais completo. Apesar de ter sofrido sua primeira derrota na organização em sua última luta, a trajetória do lutador até se firmar entre os principais nomes da divisão foi impulsionada por uma mudança estratégica crucial fora do octógono.
Do grappling à versatilidade no MMA
Oriundo do grappling, o lutador maranhense construiu sua base competitiva a partir do controle no solo e da imposição física. No início da carreira no MMA, no entanto, a limitação na trocação ficou evidente e cobrou um preço alto em um confronto. Em entrevista ao canal “Direto de Vegas”, novo projeto em formato podcast da Ag Fight, Borralho detalhou o momento de virada.
“Eu estava morando em São Paulo. Fiz a minha estreia lá no evento e nocauteei no primeiro round. Aí eu fui para o Maranhão lutar com um cara que estava 5-0, experiente… Botei o cara para o chão. No primeiro round, eu dei umas seis quedas no cara e dominei o primeiro round. Morri. Na hora de voltar em pé, eu não conseguia ficar confortável; tentava entrar em queda o tempo todo, caía por baixo, tomava umas marretadas e apanhei pra cacete“, relatou o lutador.
A pausa estratégica e a imersão na luta em pé
Após o revés, Pablo Sucupira, head coach da ‘Fighting Nerds’, sugeriu uma pausa estratégica nas competições de MMA para que o atleta pudesse evoluir especificamente na luta em pé. O plano era claro: antes de retornar ao cage, era necessário adquirir segurança e conforto na trocação. A solução foi uma imersão competitiva em diversos eventos pelo estado de São Paulo.
“Foi nessa hora que ele (Pablo Sucupira) falou: ‘Vamos dar uma parada no MMA. Você tem que ficar seguro e tranquilo em pé. Vamos rodar São Paulo inteira e botar você pra lutar’. Acho que, em um ano, eu fiz em torno de 20 a 25 lutas de boxe, muay thai e kickboxing. E foi aí que eu fiquei confiante em pé. Acho que não sou mais só um judoca, um grappler”, explicou Borralho.
A estratégia se mostrou eficaz e ampliou o repertório técnico do lutador brasileiro. O que antes era apontado como vulnerabilidade passou a integrar de maneira equilibrada o seu jogo, tornando-o um competidor mais versátil e capaz de alternar estratégias tanto na curta quanto na longa distância.
Alívio por escapar de confronto com Alex Poatan
Um episódio marcante daquele período de transição também demonstra o nível dos desafios enfrentados. Em um torneio de boxe, o atleta foi eliminado nas quartas de final do Campeonato Paulista, resultado que, curiosamente, acabou sendo recebido com certo alívio. Isso porque o adversário seguinte seria Alex Pereira, o ‘Poatan’, que mais tarde se consagraria como campeão em duas categorias do UFC e um dos principais nomes do cenário internacional.
“Eu perdi as quartas de final do Campeonato Paulista, graças a Deus. Porque o próximo adversário era o Poatan. Acho que eu ia perder uns 10 anos de vida ali. Não ia dar pra mim, não. Eu ia apanhar demais. O cara que me venceu [quando enfrentou o Poatan], eles pararam a luta. O Alex estava lutando com o moleque, que era da seleção de boxe, e os caras pararam a luta no segundo round e não deixaram o moleque voltar, porque o Alex estava matando ele”, relembrou.
A decisão de investir tempo exclusivamente na trocação, mesmo que isso significasse se afastar temporariamente do MMA, demonstra uma visão de longo prazo incomum em fases iniciais de carreira. Sob a condução de Sucupira e da Fighting Nerds, Borralho transformou uma deficiência em ferramenta estratégica, movimento que ajuda a explicar sua consolidação entre os nomes relevantes da divisão no cenário internacional.
Contexto
A trajetória de Caio Borralho no UFC ilustra a importância da adaptação e do desenvolvimento estratégico na carreira de um lutador. A decisão de focar em aprimorar a trocação, mesmo com uma base sólida no grappling, demonstra a busca constante pela evolução e a capacidade de transformar fraquezas em pontos fortes, elementos cruciais para o sucesso no competitivo mundo do MMA.