Ascensão de Claude Desafia Domínio de ChatGPT e Gemini na Percepção Brasileira sobre IA
As plataformas de inteligência artificial generativa mais reconhecidas no Brasil, ChatGPT da OpenAI e Gemini da Alphabet (representada pelo ticker GOGL34), veem o concorrente Claude, desenvolvido pela Anthropic, ganhar terreno significativo na percepção popular. Enquanto as duas gigantes mantêm um patamar de conhecimento acima de 96%, o Claude registra um crescimento que supera a margem de erro, sinalizando uma mudança na dinâmica do mercado brasileiro de IA.
Os dados, coletados pelo “Índice Reglab de Confiança e Segurança na Economia Digital” entre 15 e 30 de junho de 2026, revelam que a popularidade dessas ferramentas não garante uso, mas a crescente familiaridade com novas opções como Claude indica uma maturação do cenário digital. O levantamento ouviu 1.103 pessoas com mais de 18 anos, apresentando uma margem de erro de 3 pontos percentuais e um nível de confiança de 95%.
Conhecimento e Competição no Mercado de IA Generativa
A pesquisa detalha a abrangência do conhecimento das principais ferramentas de inteligência artificial (IA) no país. O ChatGPT, catalisador da popularização da IA em escala global, é conhecido por 96,9% da amostra. O Gemini, da gigante tecnológica Alphabet, registra uma percepção quase idêntica, com 96,1% dos respondentes afirmando saber o que é a ferramenta. Essa liderança consolidada reflete o impacto inicial e a massiva exposição de ambas as plataformas desde o seu lançamento.
No entanto, a grande revelação do estudo do Reglab é a ascensão notável do Claude. A ferramenta da Anthropic viu seu índice de conhecimento saltar de 72% para 77% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026. Esse avanço de cinco pontos percentuais é particularmente relevante por estar acima da margem de erro da pesquisa, indicando uma tendência real de crescimento na familiaridade do público brasileiro com a plataforma. Este movimento sugere que o mercado de IA generativa no Brasil, embora dominado, começa a mostrar sinais de diversificação na percepção dos usuários.
Crescimento Estratégico do Claude e Desafios de Acesso
O aumento da consciência sobre o Claude pode ser um indicativo de estratégias de marketing mais agressivas da Anthropic ou de um boca a boca crescente entre os usuários que buscam alternativas aos líderes de mercado. Para o cidadão comum, a ampliação do leque de opções significa maior concorrência, o que, em tese, pode levar a inovações mais rápidas e, eventualmente, a melhores serviços ou recursos diferenciados. É crucial, contudo, diferenciar a percepção do uso: o Reglab enfatiza que o estudo mede o conhecimento sobre as ferramentas e não a sua utilização efetiva, o que significa que barreiras de acesso e familiaridade ainda podem limitar a adoção, mesmo com o aumento da percepção.
Apesar do crescente reconhecimento do Claude, os desafios de acesso e uso persistem. A popularização de uma ferramenta de IA não se traduz automaticamente em equidade de acesso. Fatores como a disponibilidade de dispositivos compatíveis, conectividade à internet de qualidade e letramento digital continuam a ser determinantes para que a percepção se converta em uso prático. O cenário brasileiro, com suas vastas desigualdades socioeconômicas, amplifica a importância de se analisar esses fatores em profundidade.
A Desigualdade Social no Acesso ao Conhecimento de IA
O levantamento do Reglab, que investiga a percepção sobre diversas categorias da economia digital – incluindo streamings, redes sociais, governo digital e economia de plataformas –, aponta que a inteligência artificial se destaca como a área onde o conhecimento é mais heterogêneo entre as diferentes classes sociais. Este é um dado crucial para entender as implicações sociais da rápida evolução tecnológica no país.
A disparidade é evidente: enquanto o conhecimento sobre IA entre as classes D e E subiu de 79% no primeiro trimestre para 84% no segundo trimestre, a diferença para as classes A e B ainda é superior a 6%. Embora o aumento na base da pirâmide social seja um sinal positivo, ele ressalta a existência de uma lacuna persistente. Essa desigualdade pode exacerbar clivagens existentes, criando uma nova dimensão para a exclusão digital.
Thaís Palanca, pesquisadora do Reglab e uma das autoras do estudo, contextualiza este cenário. Ela afirma: “A inteligência artificial está se tornando parte do repertório cotidiano de grupos sociais mais amplos. Isso não significa que as barreiras de acesso ou uso foram superadas, mas mostra que a categoria já não circula apenas entre públicos especializados.” A declaração de Palanca sublinha a necessidade de políticas públicas e iniciativas que visem a inclusão digital, garantindo que a crescente percepção se traduza em oportunidades reais para todos os estratos da sociedade. A permanência das “barreiras de acesso” pode se referir a questões como custo de dispositivos, acesso à internet, letramento digital e a própria utilidade percebida da ferramenta para as necessidades de cada grupo.
Impacto para Cidadãos e o Cenário Digital
O que está em jogo com essa disparidade no conhecimento de IA é a própria capacidade dos cidadãos de participar plenamente da economia digital e de se beneficiar das inovações tecnológicas. Para as classes sociais com menor acesso, o conhecimento limitado pode significar desvantagens em mercados de trabalho cada vez mais dependentes de habilidades digitais, acesso restrito a informações e serviços otimizados por IA, e uma menor capacidade de influenciar ou questionar o desenvolvimento dessas tecnologias. Para o mercado, essa desigualdade representa um obstáculo para a adoção massiva e equitativa de soluções de IA, limitando o potencial de crescimento e inovação.
A crescente familiaridade com a IA, mesmo com desigualdades, também tem implicações para o setor público e a formulação de políticas. À medida que mais pessoas ouvem falar de IA, aumenta a necessidade de governos e reguladores desenvolverem marcos legais e éticos que garantam a segurança, a privacidade e a equidade no uso dessas tecnologias. A participação cidadã informada torna-se vital para moldar um futuro digital mais inclusivo e justo. A contínua evolução da percepção, como mostra o estudo, força uma adaptação constante de estratégias por parte de empresas e órgãos governamentais.
Aumento da Confiança e Consolidação Tecnológica
Além do conhecimento, o Índice Reglab também mensura a confiança nas ferramentas de inteligência artificial. Os resultados mostram um movimento positivo: o índice de confiança nas inteligências artificiais aumentou 1,1% na comparação com a pesquisa anterior. É importante notar que se trata de um índice relativo, onde o valor base de 1 corresponde ao medido no primeiro trimestre de 2026. Este crescimento geral na confiança indica que, apesar das preocupações inerentes a uma tecnologia emergente, os brasileiros estão se tornando mais confortáveis com a ideia de interagir e depender de sistemas de IA.
A análise aprofundada dos dados revela um dado ainda mais relevante: entre os respondentes que participaram das duas pesquisas consecutivas, representando 20% da amostra total, o valor de confiança subiu 3,1%. Este aumento mais acentuado entre um grupo de acompanhamento sugere que a experiência contínua ou o maior contato com as tecnologias de IA pode fortalecer a confiança ao longo do tempo. É um sinal encorajador para desenvolvedores e empresas que buscam a adoção e aceitação de suas soluções de IA em longo prazo.
Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo do Reglab, ressalta a importância desses resultados. “Trata-se de um movimento importante em tecnologias numa fase intensa de difusão, e as próximas rodadas mostrarão se esses sinais se consolidam como uma tendência”, afirma Ramos. A frase destaca que a crescente confiança é um pilar para a consolidação da IA no cotidiano e na economia. Se essa tendência se mantiver, haverá impactos significativos na forma como empresas operam, governos oferecem serviços e indivíduos interagem com o mundo digital.
Contexto
A inteligência artificial generativa tem redefinido paradigmas em diversas indústrias, desde a criação de conteúdo até o atendimento ao cliente, e seu impacto na percepção e confiança pública é um termômetro fundamental para a sua difusão. O Brasil, como um mercado digital em expansão, demonstra um interesse crescente e uma adaptação gradual a essas tecnologias. A dinâmica entre os gigantes como ChatGPT e Gemini e a ascensão de players como Claude aponta para um cenário de competição intensa e constante inovação, com reflexos diretos na inclusão digital e no desenvolvimento socioeconômico do país.