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Brasil sedia COP15: povos originários desafiam futuro climático

Participantes da COP15 Criam Bosque de Árvores Nativas em Campo Grande

Em um ato simbólico de compromisso com a conservação da natureza, centenas de participantes da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15), que acontece em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, plantaram um bosque de árvores nativas e frutíferas na tarde deste sábado (28). A iniciativa representa um importante legado do encontro global, unindo esforços em prol da biodiversidade.

Ação Concreta e Legado para a Cidade

O bosque, idealizado como parte das atividades da COP15, tem como objetivo conectar os participantes com a natureza e deixar um legado tangível para a cidade de Campo Grande. A ação está alinhada com o tema central da conferência: “Conectando a Natureza para Sustentar a Vida”. Diplomatas, delegados de diversos países, representantes de movimentos ambientalistas e cidadãos locais de todas as idades participaram da plantação.

“Esse é o mais importante evento de toda a COP, porque a ação importa mais e é para que ela aconteça que nos reunimos,” declara Amu Fraenkel, secretária executiva da Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS). “Tem um ditado antigo que diz pensar global e agir local e é o que estamos fazendo hoje, porque todos têm um papel a desempenhar para a proteção das espécies migratórias”, completa Fraenkel, enfatizando a importância da participação coletiva na proteção das espécies.

Localização Estratégica para a Expansão de Áreas Verdes

A bióloga Sílvia Ray Pereira, da Gerência de Arborização da prefeitura, explica que a escolha do local para o Bosque da COP15 foi estratégica. A área integra um projeto municipal de criação de miniflorestas em áreas urbanas com pouca vegetação, como praças e terrenos baldios. O objetivo é conciliar a arborização urbana, a promoção da saúde da população e a criação de habitats para a fauna silvestre.

“O Bosque da COP15 entra em um projeto que lançamos ano passado para a criação de miniflorestas onde há poucas árvores, principalmente praças, para que a gente concilie arborização urbana, saúde da população e ainda atenda os animais silvestres”, destaca a bióloga, reforçando a importância da iniciativa para a cidade.

Espécies Nativas e a Atração da Arara-Azul

Foram plantadas 250 mudas de espécies nativas do Cerrado, como sapoti, pitanga, angico e manduvi. A escolha do manduvi é particularmente significativa, pois essa árvore é utilizada pela arara-azul para construir seus ninhos. O plantio visa atrair a espécie de volta para a região, oferecendo um local seguro para a nidificação.

“A ideia é a atrair a espécie que já está voltando a se aproximar da cidade. Tendo a expansão das áreas verdes com o manduvi, a arara-azul vai encontrar aqui um local seguro para fazer a nidificação”, explica a bióloga. A iniciativa, portanto, não apenas aumenta a área verde da cidade, mas também contribui para a conservação de uma espécie ameaçada.

Avanços na Plenária da COP15: Consenso e Próximos Passos

Paralelamente à criação do Bosque, a plenária da COP15 avançou em importantes deliberações. Os participantes da conferência chegaram a um consenso em relação a mais de 100 itens da agenda, que serão oficialmente adotados na plenária final, no domingo (29). Essa convergência de esforços demonstra o compromisso global com a conservação das espécies migratórias.

“Amanhã, na plenária final, elas serão oficialmente adotadas pela convenção”, afirma o presidente da COP15, João Paulo Capobianco, demonstrando otimismo quanto aos resultados da conferência.

Medidas Lideradas e Apoiadas pelo Brasil

O Brasil tem desempenhado um papel de liderança na COP15, apoiando e liderando diversas medidas de conservação. Entre elas, destacam-se a aprovação do Plano de Ação para a Conservação dos Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e a promoção de ações internacionais para a conservação do tubarão-mangona e do tubarão-peregrino. Estas ações visam proteger espécies vulneráveis e garantir a saúde dos ecossistemas aquáticos.

Novas Espécies na Lista de Proteção da CMS

Após a plenária final, outras espécies serão incluídas nas listas de proteção da CMS, reforçando o compromisso global com a conservação da biodiversidade. As novas adições incluem:

  • Anexo I (espécies ameadas de extinção): as aves maçarico-de-bico-torto e maçarico-de-bico-virado;
  • Anexo II (espécies que demandam esforços internacionais de conservação): o peixe pintado, o tubarão cação-cola-fina e a ave caboclinho-do-pantanal;
  • A ariranha e os petréis, ou grazinas, serão incluídos nas duas listas.

A inclusão destas espécies nas listas da CMS representa um importante passo para a sua conservação, garantindo maior atenção e recursos para a sua proteção.

Retirada da Proposta do Cação-Anjo-Espinhoso

Sem consenso para a inclusão do tubarão cação-anjo-espinhoso no Anexo II, o Brasil retirou a proposta para que as avaliações pudessem ter continuidade. A ausência de consenso demonstra a complexidade das negociações internacionais em torno da conservação das espécies migratórias, mas não impede que os esforços para a proteção desta espécie continuem em outras esferas.

O que está em jogo

A COP15 representa um momento crucial para a conservação das espécies migratórias. As decisões tomadas durante a conferência terão um impacto direto na proteção da biodiversidade global e na saúde dos ecossistemas. A implementação efetiva das medidas aprovadas é fundamental para garantir um futuro sustentável para as espécies migratórias e para o planeta.

A Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP15) aborda a importância da cooperação internacional na conservação de espécies que atravessam fronteiras geográficas, destacando a necessidade de ações coordenadas para proteger seus habitats e garantir sua sobrevivência a longo prazo.

Contexto

A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), também conhecida como Convenção de Bonn, é um tratado ambiental das Nações Unidas que visa conservar as espécies migratórias em todo o seu alcance. A COP, ou Conferência das Partes, é o órgão de tomada de decisão da Convenção, onde os países membros se reúnem para revisar o progresso, identificar novas prioridades e adotar medidas para melhorar a conservação das espécies migratórias. A cada edição, a COP define novas metas e estratégias para proteger esses animais e seus habitats, impulsionando ações globais para a conservação da biodiversidade.

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