Disputa entre Austrália e Turquia sobre sede da conferência pode beneficiar diplomacia brasileira

Impasse entre Austrália e Turquia pode resultar na prorrogação da presidência brasileira na COP.
Brasil estende a presidência da COP em meio a impasse
O impasse entre a Austrália e a Turquia sobre qual será a próxima sede da COP fez crescer, nesta segunda-feira (17), em Belém, a possibilidade de que o Brasil estenda sua presidência na COP por mais um ano. Essa extensão daria à diplomacia brasileira um papel ainda mais proeminente nas negociações climáticas. A informação foi confirmada a fontes da CNN Brasil.
De acordo com as fontes, a regra da UNFCCC (Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima) prevê que, na ausência de um acordo entre os países que desejam sediar a conferência, o evento deve ocorrer na sede da organização, que se localiza em Bonn, na Alemanha. Contudo, a cidade de Bonn já manifestou à ONU que não tem interesse em sediar a conferência, o que resultaria na necessidade de a Alemanha abrigar o evento em sua capital, Berlim.
Prazo se esgota na COP de Belém
O prazo para que um acordo seja alcançado se esgota ao final da COP de Belém, que está prevista para ser concluída neste sábado (22). Caso não haja um consenso, o Brasil manteria a presidência da COP até o final do próximo ano, sob a liderança do embaixador André Corrêa do Lago. Essa situação, por um lado, garantiria que a diplomacia brasileira estivesse à frente nas negociações climáticas por mais um ano. No entanto, também evidenciaria a incapacidade da diplomacia da ONU em resolver um impasse entre os dois países membros.
Questões geopolíticas complicam a situação
A Austrália e a Turquia estão disputando a sede da COP, com a Austrália reivindicando Canberra ou Ancara, enquanto a Turquia prefere Antalya. Nenhum dos dois países parece disposto a ceder até a noite desta segunda-feira. As questões geopolíticas envolvidas na disputa são complexas, com a Turquia recebendo apoio dos árabes, que relutam em discutir a transição para o fim dos combustíveis fósseis. Além disso, a Turquia conta com o respaldo da Rússia, que atualmente enfrenta problemas diplomáticos com a Austrália, especialmente após a imposição de sanções pela Austrália em resposta à invasão da Ucrânia.
A situação atual destaca as tensões geopolíticas e os desafios enfrentados na busca por um consenso em um tema tão crucial quanto as mudanças climáticas. A próxima semana será decisiva para determinar o futuro da presidência da COP e as direções que as negociações climáticas poderão tomar sob a liderança brasileira.