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Folha Jundiaiense

Brasil é competitivo e não se submete a ninguém, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou o novo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz, no Rio de Janeiro, neste sábado (23). A entrega da estrutura impulsiona a soberania científica do país, com Lula reforçando a necessidade de investir em pesquisa para garantir a competitividade brasileira no cenário global.

Lula destacou a visão de que o Brasil não é menor nem menos competitivo que qualquer outra nação. “Esse centro tecnológico dá ao Brasil a certeza de que a gente não é menor do que ninguém, de que a gente não é menos competitivo do que ninguém. Basta a gente ousar, ter coragem e fazer”, declarou o presidente na cerimônia.

Ele criticou a percepção de que a pesquisa é um gasto, e não um investimento. “Normalmente, o que a gente ouve muito no governo é ‘Ah, custa muito. É muito caro. Não tem dinheiro’. Isso é o que a gente mais ouve. As pessoas nunca param para se perguntar quanto custa não fazer”, ponderou.

Lula comparou a busca por avanços científicos à exploração de petróleo: o resultado, mesmo incerto, justifica o investimento.

CDTS da Fiocruz: Polo de Inovação para o SUS

A nova sede do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS) da Fiocruz, com seus 15 mil metros quadrados, não é apenas um prédio. É um polo projetado para ser um catalisador de inovação.

Sua missão é gerar tecnologias de ponta. Desenvolverá medicamentos, vacinas, diagnósticos e outras soluções para o Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo é claro: diminuir a dependência externa e fortalecer a saúde pública nacional.

O CDTS, criado em 2002 com apoio do Ministério da Saúde, conecta de forma estratégica a pesquisa científica à aplicação tecnológica. Ele acelera projetos de biofármacos, vacinas e testes diagnósticos que são vitais para o SUS. A infraestrutura robusta do novo espaço fomenta a colaboração, unindo pesquisadores, universidades e parceiros tanto do Brasil quanto do exterior.

A experiência da pandemia de Covid-19 expôs de forma cruel a vulnerabilidade de países dependentes de cadeias de suprimentos globais para insumos e produtos de saúde. O novo CDTS da Fiocruz representa uma resposta concreta a essa lição, um passo firme em direção à autonomia sanitária do Brasil.

Ao capacitar o país para produzir localmente vacinas e medicamentos, o centro busca garantir o abastecimento em futuras crises. Isso evita a escassez e a elevação de preços que afetam diretamente o cidadão e o orçamento público.

Os ganhos práticos para a população são diretos. Acelerar o desenvolvimento de novos diagnósticos significa identificar doenças com maior rapidez, permitindo tratamentos precoces. A produção nacional de vacinas agiliza campanhas de imunização. A redução dos custos de importação libera recursos significativos do SUS, que podem ser realocados para a expansão de serviços, a melhoria de infraestrutura hospitalar ou a compra de equipamentos mais modernos.

Além dos benefícios diretos à saúde, a iniciativa impulsiona a economia. Gera empregos de alta qualificação e atrai investimentos para um setor de tecnologia intensiva. A pesquisa e o desenvolvimento em saúde movimentam uma cadeia produtiva complexa, da biotecnologia à manufatura farmacêutica, criando um ecossistema de inovação.

O centro também serve como um ímã para talentos científicos, oferecendo infraestrutura e ambiente propício para a pesquisa de ponta. A Fiocruz, já uma referência global em pesquisa de doenças tropicais, agora expande seu alcance para desafios complexos e a produção de biofármacos de última geração. O trabalho do CDTS reforça o papel do Brasil não apenas como consumidor, mas como um ator ativo e relevante na produção de soluções em saúde global.

A aposta do governo é clara: transformar a ciência em ferramenta de desenvolvimento. Lula enfatizou a necessidade de persistência e investimentos constantes, mesmo diante de resultados que podem demorar a aparecer. É a visão de um país que se projeta pelo conhecimento e pela capacidade de inovar, superando entraves históricos de financiamento e burocracia na pesquisa.

Contexto

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) tem um histórico centenário de pesquisa e produção em saúde pública no Brasil, com raízes que remontam ao início do século XX. Fundada para combater epidemias, a instituição se tornou um pilar do sistema de saúde nacional, responsável pela pesquisa de doenças tropicais, produção de vacinas e medicamentos essenciais, e formação de cientistas. Sua atuação foi decisiva em momentos como a campanha contra a febre amarela e, mais recentemente, na resposta à pandemia de Covid-19, com a produção de vacinas em larga escala. A expansão de sua infraestrutura, como a nova sede do CDTS, reflete uma estratégia de longo prazo para garantir a autonomia tecnológica e a capacidade de resposta do país diante de futuros desafios sanitários, além de consolidar o Brasil como um polo de inovação em saúde na América Latina.

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