Duplicação da BR-470 em Santa Catarina Sofre Atrasos e Preocupa Setor Produtivo
A duplicação da BR-470 em Santa Catarina, projeto em discussão desde o início dos anos 2000 e formalizado em 2013, enfrenta atrasos significativos, apesar de investimentos bilionários e recentes avanços.
Importância Logística da BR-470
A BR-470 é um corredor logístico crucial para Santa Catarina, conectando o oeste e o meio-oeste ao litoral norte, onde se localizam os portos de Itajaí e Navegantes, além do aeroporto de Navegantes. A rodovia é utilizada para o transporte de produtos de exportação e importação, como grãos, carnes, madeira, móveis e matérias-primas, sendo um eixo estratégico para a economia estadual.
Estado Atual da Duplicação
Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a duplicação abrange 73 quilômetros entre Navegantes e Indaial, divididos em quatro lotes. Até o momento, 85% dos serviços foram concluídos, com 62 quilômetros duplicados e liberados ao tráfego. Faltam 11 quilômetros de duplicação e sete viadutos para a finalização da obra.
O Dnit prevê a conclusão dos lotes 1, 2 e 3 em 2026 e do lote 4 em 2027, com um investimento total de R$ 1,58 bilhão. Em dezembro de 2025, foi entregue o Viaduto Segalas, no km 45 da rodovia, em Gaspar, com investimento de R$ 17,5 milhões provenientes do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
O Viaduto Segalas visa separar o tráfego local do fluxo de longa distância, aumentando a segurança e a fluidez no trânsito. No último ano, também foram entregues o Viaduto Fortaleza e o Complexo Viário do Badenfurt, ambos em Blumenau. Dos 27 viadutos previstos no projeto, 20 estão concluídos.
Fiesc Aponta Cortes no Orçamento Federal
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) atribui a demora na duplicação da BR-470 a restrições orçamentárias. Em outubro de 2025, a Fiesc alertou o Ministro dos Transportes, Renan Filho, sobre a redução de recursos do Dnit na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.
O orçamento previsto para obras e manutenção de rodovias federais em Santa Catarina em 2026 é de R$ 506,7 milhões, valor considerado insuficiente pela Fiesc. Esse montante representa uma queda de 50% em relação a 2023, quando o estado recebeu R$ 1,04 bilhão.
A Fiesc estima que seriam necessários R$ 200 milhões em 2026 para o avanço adequado da duplicação da BR-470, enquanto o valor previsto é de apenas R$ 50 milhões.
Impacto Econômico dos Atrasos
A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) alerta que os atrasos na duplicação da BR-470 afetam a competitividade das empresas, encarecem a logística e inibem novos investimentos no estado. Os congestionamentos frequentes aumentam os custos de transporte e armazenagem, dificultam o escoamento da produção e prejudicam o acesso aos portos de Itajaí e Navegantes.
Visão do Setor Empresarial
Rita Conti, vice-presidente da Facisc, afirma que a falta de prioridade federal e orçamentos insuficientes são as principais causas dos atrasos na obra. Rinaldo Araújo Jr., vice-presidente regional da Facisc no Vale do Itajaí, defende uma maior alocação de recursos federais e uma mobilização política para priorizar a BR-470 no orçamento da União.
Riscos e Acidentes
Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) indicam que, entre 1º de janeiro e 15 de dezembro de 2025, foram registrados 501 acidentes no trecho entre Navegantes e Indaial, resultando em 566 feridos e 26 mortes. As principais causas estão associadas ao comportamento do motorista. A PRF espera que a duplicação diminua as colisões frontais, mas alerta para o risco de aumento do excesso de velocidade.
Contexto
A conclusão da BR-470 é fundamental para impulsionar a economia de Santa Catarina, reduzir custos logísticos, aumentar a segurança no trânsito e melhorar a competitividade das empresas catarinenses.