O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) abriu, nesta sexta-feira (29), o prazo para pedidos de financiamento do programa BNDES Mais Mobilidade. A linha de crédito, que soma até R$ 21 bilhões, foca na renovação da frota nacional de veículos pesados. O objetivo central é modernizar o transporte rodoviário e urbano de cargas e passageiros em todo o país.
Transportadores autônomos, pessoas físicas associadas a cooperativas, empresários individuais e pessoas jurídicas do setor de transporte rodoviário ou urbano podem solicitar os empréstimos. Os recursos chegam ao setor por meio da rede de agentes financeiros parceiros do BNDES.
O BNDES Mais Mobilidade operacionaliza a segunda fase do programa Move Brasil – Caminhões e Ônibus, o Move Brasil 2. A iniciativa, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), busca expandir o apoio à renovação da frota brasileira. Cobre a aquisição de caminhões, caminhões-tratores, ônibus, micro-ônibus e implementos rodoviários.
Os interessados devem procurar uma instituição financeira credenciada ao BNDES. A análise de crédito ocorre no agente financeiro, que negocia as condições finais e encaminha o pedido ao BNDES.
O prazo para protocolo das operações no sistema do BNDES vai até 28 de agosto de 2026. A data limite para comunicação da contratação ao Banco é 28 de setembro de 2026.
Impacto Direto na Frota Nacional
O Brasil depende fortemente do transporte rodoviário. Uma frota envelhecida impacta diretamente a segurança nas estradas, o custo logístico e as emissões de poluentes.
O financiamento de R$ 21 bilhões atende a uma demanda antiga do setor. Veículos novos consomem menos combustível e exigem menos manutenção, traduzindo-se em maior competitividade para as empresas e autônomos.
Do montante autorizado, R$ 14,5 bilhões provêm do Tesouro Nacional. Até R$ 6,7 bilhões vêm de recursos do próprio BNDES.
O programa reserva R$ 2 bilhões para a aquisição de ônibus e micro-ônibus. Outros R$ 2 bilhões destinam-se especificamente a transportadores autônomos de cargas e pessoas físicas associadas a cooperativas. Este direcionamento demonstra um olhar atento às necessidades dos pequenos operadores.
Os financiamentos oferecem prazos e carências diferenciados:
- Transportadores autônomos: até 120 meses, com carência de até 12 meses.
- Empresas de transporte rodoviário ou urbano de cargas: até 60 meses, com carência de até 6 meses.
- Empresas de transporte rodoviário ou urbano de passageiros: até 120 meses, com carência de até 6 meses.
O limite de financiamento é de até R$ 50 milhões por cliente, sem valor mínimo. Os juros fixam-se próximos de 13% ao ano, um patamar competitivo para o setor.
Exigências de Sustentabilidade e Nacionalização
Para veículos novos, o programa impõe a fabricação nacional. Exige também credenciamento no CFI do BNDES e atendimento ao padrão Proconve P-8 (Programa de Controle de Emissões Veiculares), conforme limites da Resolução Conama nº 490/2018. O Proconve P-8 representa um salto ambiental, com redução significativa de óxidos de nitrogênio e material particulado, alinhando a frota brasileira a padrões internacionais de emissões.
Caminhões e caminhões-tratores seminovos também podem ser financiados. Neste caso, os veículos precisam ter sido fabricados a partir de 2012, atender à fase P-7 do Proconve e observar rigorosos critérios de rastreabilidade fiscal. Esta flexibilidade permite incluir um parque veicular mais recente, mas não totalmente novo, no processo de modernização.
O financiamento cobre, ainda, itens associados à operação. Entram seguro do bem, seguro prestamista e comissão de fundos garantidores. Tais itens devem ser contratados em conjunto com o financiamento e são elegíveis para clientes com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, declarou que o programa “vai modernizar a frota brasileira, reduzir o custo logístico, melhorar o transporte de cargas e passageiros, aumentar a segurança nas estradas e estimular a indústria nacional”. Mercadante afirmou que a iniciativa combina “eficiência econômica, sustentabilidade e inclusão produtiva, com atenção especial aos transportadores autônomos e cooperados”.
Márcio Elias Rosa, ministro do MDIC, disse que a nova fase do Move Brasil resulta do sucesso de medidas econômicas recentes do governo federal. “É um programa extremamente exitoso, com muitos efeitos positivos não só para o beneficiário final, mas ao longo de toda a cadeia automotiva, aumentando a produção da indústria, as vendas nas concessionárias e, com isso, fortalecendo também os empregos nesse setor”, afirmou.
Contexto
O Brasil, por suas dimensões continentais e infraestrutura rodoviária predominante, depende da eficiência de sua frota de veículos pesados. Dados do setor apontam para uma idade média elevada de caminhões e ônibus, o que implica maiores custos operacionais, manutenção frequente, consumo elevado de combustível e emissões poluentes acima do ideal. Programas de renovação, como o BNDES Mais Mobilidade, são cíclicos e essenciais para a atualização tecnológica do parque veicular, impactando diretamente a segurança viária, a saúde pública e a competitividade da logística nacional, além de impulsionar a indústria automotiva interna.