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Folha Jundiaiense

Bélgica vence EUA e frustra manobra política de Trump na Copa

A Bélgica garantiu sua vaga nas quartas de final da Copa do Mundo com uma vitória contundente de 4 a 1 sobre os Estados Unidos. O confronto, realizado no Lumen Field, em Seattle, ficou em segundo plano diante da intensa controvérsia que antecedeu a partida, envolvendo a decisão da FIFA de reverter a suspensão do atacante norte-americano Folarin Balogun sob pressão direta do presidente Donald Trump. Apesar da polêmica, o grande destaque em campo foi o belga Charles De Ketelaere, autor de dois gols decisivos.

A equipe belga avança para enfrentar a Espanha, que eliminou Portugal, em um aguardado duelo marcado para sexta-feira, às 16 horas, em Inglewood, na Califórnia. Quem triunfar neste embate garante participação nas semifinais e disputará, no mínimo, a decisão de terceiro lugar.

A Controversa Intervenção de Trump e a Reversão da Suspensão de Balogun

O episódio que lançou uma sombra sobre a partida começou quando Folarin Balogun, pilar do ataque norte-americano e autor de três gols na Copa até então, recebeu um cartão vermelho na vitória dos EUA sobre a Bósnia. A punição o deixaria automaticamente suspenso para o jogo contra a Bélgica. Contudo, a situação escalou para um nível sem precedentes com a intervenção da Casa Branca.

O Comitê Disciplinar da FIFA, órgão responsável por tais decisões, acionou um artigo específico de seu código de funcionamento para permitir que Balogun entrasse em campo. Esta medida excepcional ocorreu em meio a declarações públicas e, conforme relatos, pressões intensas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gerando uma onda de críticas de diversas frentes do futebol internacional.

A decisão da FIFA de ceder à pressão política para alterar uma sanção esportiva gerou profunda apreensão. Clubes europeus, federações e a própria seleção belga expressaram veementes protestos contra a medida, argumentando que a integridade e a autonomia das regras do futebol estavam sendo comprometidas. No entanto, os esforços para reverter a liberação de Balogun não obtiveram sucesso, e o atacante jogou normalmente.

Acusações Infundadas contra a Arbitragem Brasileira

A polêmica se aprofundou com as acusações dirigidas ao árbitro brasileiro Raphael Claus, que havia expulsado Balogun em campo após revisão do VAR (Árbitro de Vídeo), liderado pelo venezuelano Juan Soto. Segundo o jornal The New York Times, a Casa Branca preparou um dossiê contendo acusações sem prova contra Claus, a quem Trump chegou a classificar de “suspeito”.

A gravidade das insinuações políticas contra um oficial de arbitragem em atividade provocou uma imediata e unânime reação de defesa. A FIFA, a Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e a FPF (Federação Paulista de Futebol) rapidamente se manifestaram em apoio a Raphael Claus, repudiando as alegações infundadas e reafirmando a confiança em sua conduta profissional. Esse alinhamento demonstra a unidade do mundo do futebol contra interferências externas na lisura das competições.

Bélgica Imponente: Tática Precisa e Gols no Primeiro Tempo

Em campo, a Bélgica demonstrou por que é uma das favoritas ao título, com uma performance tática superior. O técnico Rudi Garcia surpreendeu ao escalar a equipe com quatro mudanças em relação ao time que enfrentou Senegal na fase anterior, abrindo mão de nomes como Doku e De Bruyne no início. Essa estratégia renovou o fôlego belga, que exibiu uma intensidade nos primeiros minutos não vista em outras partidas do Mundial.

Os visitantes impuseram uma pressão avassaladora desde o apito inicial, fazendo os donos da casa sentirem o próprio estilo de jogo. O esforço resultou em gol logo aos 9 minutos de partida, quando Charles De Ketelaere recebeu um cruzamento preciso de Raskin na pequena área e concluiu com maestria, colocando a Bélgica em vantagem.

Apesar do bom momento, a equipe belga enfrentou um baque com a lesão de Onana, que precisou deixar o campo chorando e acompanhou o restante do jogo de muletas. Os Estados Unidos aproveitaram a pausa e reagiram, alcançando o empate aos 31 minutos em uma bela cobrança de falta executada por Tillman. No entanto, a euforia durou pouco: um minuto depois, em uma jogada novamente tramada pelo lado esquerdo, De Ketelaere apareceu para tocar de cabeça na entrada da pequena área, recolocando os belgas à frente.

Segundo Tempo e Goleada Belga: Erros Decisivos e Eliminação Americana

Na volta do intervalo, os norte-americanos tentaram reorganizar-se para buscar a virada, mas o destino do jogo foi selado por uma sequência de eventos desfavoráveis. Primeiro, a lesão de Pulisic, um dos principais nomes da equipe, jogou um balde de água fria nas esperanças de reação. Em seguida, um erro crasso do goleiro Freese enterrou de vez as pretensões dos donos da casa.

Aos 12 minutos do segundo tempo, sob pressão de De Ketelaere, o arqueiro saiu do gol e se atrapalhou no momento de dar um chutão para frente, acertando o chão e deixando a meta desguarnecida. Com o gol vazio, Vanaken não hesitou e finalizou de longe, marcando o terceiro gol da Bélgica e ampliando a vantagem para 3 a 1.

Após a pausa para hidratação, os Estados Unidos partiram para o “tudo ou nada”, em uma tentativa desesperada de mudar o placar. Balogun, o centro das atenções antes do jogo, teve uma rara chance no mano a mano com o goleiro Courtois, mas o arqueiro belga se agigantou e impediu que a bola entrasse, frustrando as esperanças americanas de diminuir a diferença. A atuação discreta de Balogun em campo, em contraste com sua importância prévia, refletiu talvez a imensa pressão que o cercou.

Nos acréscimos, Balogun foi substituído, e do banco de reservas, assistiu ao centroavante belga Lukaku finalizar a goleada, marcando o quarto gol e sacramentando a eliminação dos Estados Unidos da Copa do Mundo. A vitória belga no Lumen Field, diante de 66.925 torcedores, foi um espetáculo de tática e eficiência.

Ficha Técnica Detalhada

ESTADOS UNIDOS 1 X 4 BÉLGICA

ESTADOS UNIDOS: Freese; Freeman, Richards e Ream; Dest (Reyna), Adams (Pepi), McKennie, Tillman e Antonee Robinson (Arfsten); Pulisic (Berhalter) e Balogun (Wright). Técnico: Mauricio Pochettino.

BÉLGICA: Courtois; Castagne, Mechele, Ngoy e De Cuyper; Tielemans, Raskin (Witsel) e Onana (Vanaken); Lukébakio (Doku), De Ketelaere (Lukaku) e Trossard (Saelemaekers). Técnico: Rudi Garcia.

GOLS: De Ketelaere, aos 9 e aos 32, Tillman aos 31 minutos do 1º tempo; Vanaken, aos 12, Lukaku, aos 47 minutos do 2º tempo.

CARTÕES AMARELOS: McKennie e Tillman.

ÁRBITRO: Adham Makhadmeh (Jordânia).

PÚBLICO: 66.925 torcedores.

LOCAL: Lumen Field, em Seattle (EUA).

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