Instituição afirma que operação foi conduzida por empresa externa e não esclarece pontos críticos da investigação

Banco Master se defende e nega qualquer responsabilidade pelos R$ 12,2 bilhões repassados ao BRB, apontando outra empresa como responsável.
Banco Master se defende sobre R$ 12,2 bilhões repassados ao BRB
Na tarde deste sábado, 22, o Banco Master divulgou uma nota em que se isenta de qualquer responsabilidade pelos R$ 12,2 bilhões repassados ao Banco de Brasília (BRB). A defesa do banco, liderada por Daniel Vorcaro, atualmente detido, afirma que a empresa que originou os empréstimos, a Tirreno Consultoria de Crédito, é a verdadeira responsável pela operação e pelas irregularidades documentais.
Entretanto, a nota do Master não trouxe esclarecimentos para diversas questões levantadas pelas investigações da polícia federal e do Ministério Público Federal. Um dos pontos críticos é que a Tirreno Consultoria foi criada por André Felipe de Oliveira Seixas Maia, um ex-funcionário do banco. Esse detalhe levanta suspeitas sobre a legitimidade das operações realizadas.
Outro aspecto que gera desconfiança é o aumento do capital social da Tirreno, que saltou de R$ 100 mil para R$ 30 milhões apenas dois dias antes da assinatura do contrato com o Banco Master. Essas manobras financeiras são analisadas sob a luz da investigação, que busca entender a origem e o fluxo dos recursos.
O juiz da 10.ª Vara Criminal do Distrito Federal, que autorizou a operação, descreve a hipótese investigativa como uma tentativa do Grupo Master de inflar seu patrimônio de maneira ilícita, utilizando a Sociedade de Crédito Direto para manipular os números e cobrir um rombo financeiro de R$ 12 bilhões. A análise do Banco Central sobre 30 CPFs cedidos pela Tirreno revelou que não havia correspondência entre os empréstimos registrados e os fluxos financeiros associados, o que gera ainda mais dúvidas sobre a operação.
Na nota divulgada, o Banco Master também informa que o BRB não adquiriu créditos originados por terceiros, mas sim outras carteiras e ativos que não são alvo da investigação. O BRB, por sua vez, confirmou ter liquidado ou substituído R$ 10 bilhões dos R$ 12,2 bilhões. No entanto, o Master não explicou por que não cumpriu as cláusulas contratuais que exigiam a devolução integral dos recursos ao banco público, ao invés de uma troca por carteiras.
O juiz responsável pela investigação destacou que o BRB deveria ter exigido documentos adicionais desde o início da operação, especialmente considerando o montante envolvido. A situação é considerada suspeita, dado que a empresa deveria ter tomado precauções rigorosas para garantir a viabilidade da transação. Além disso, o descumprimento de cláusulas que exigiam a devolução imediata de R$ 6,7 bilhões da conta vinculada da Tirreno ao Banco Master para os cofres do BRB também é alarmante.
A falta de clareza e a complexidade da operação envolvem questões que podem ter consequências legais significativas para todos os envolvidos. As investigações continuam em andamento, e as autoridades seguem em busca de respostas sobre a real natureza das transações e dos envolvidos.