Presidente da CBAt projeta até quatro medalhas para o Brasil no Atletismo em Los Angeles 2028
O presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), Wlamir Motta Campos, demonstra otimismo e acredita na possibilidade de o Brasil conquistar entre três e quatro medalhas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, nos Estados Unidos, em 2028. O atletismo se consolida como a segunda modalidade que mais pódios olímpicos concedeu ao país, somando um total de 21 medalhas, ficando atrás apenas do judô, com 28.
Expectativas Elevadas para o Atletismo Brasileiro em 2028
Wlamir Motta Campos, em entrevista à TV Brasil, assume a responsabilidade sobre as altas expectativas para o desempenho do atletismo brasileiro. “Eu falo que não gosto de colocar responsabilidade para os atletas, mas tenho que chamá-la para mim. E a gente quer sempre mais. Então, a expectativa é de buscar três a quatro medalhas em Los Angeles, contribuindo com o Time Brasil”, afirma Campos.
Caso a projeção mínima de três medalhas se concretize, o atletismo brasileiro igualará seu melhor desempenho em uma única edição das Olimpíadas, repetindo o feito de Pequim, na China, em 2008. Naquela ocasião, o Brasil conquistou o ouro com Maureen Maggi no salto em distância, além de dois bronzes nos revezamentos 4×100 metros masculino e feminino.
Relembrando Pequim 2008: Um Marco na História do Atletismo Nacional
É importante ressaltar que os bronzes nos revezamentos de Pequim 2008 foram confirmados somente anos depois. As equipes originalmente campeãs das provas foram desclassificadas por doping, e o Brasil herdou o terceiro lugar em ambas as categorias. Apenas Maureen Maggi recebeu a premiação no pódio durante os Jogos.
A conquista de medalhas em Pequim 2008 representou um marco para o atletismo brasileiro, demonstrando o potencial e o talento dos atletas do país. A expectativa para Los Angeles 2028 é que o Brasil possa superar esse desempenho e alcançar novos patamares na modalidade.
Nomes de Destaque e Promessas para o Futuro
Campos destaca alguns nomes que podem brilhar em Los Angeles 2028. “[Para 2028] nós temos o Caio [Bonfim, campeão mundial e medalhista olímpico da marcha atlética] como uma referência, que chegará muito forte. Temos também a Juliana Campos, do salto com vara [finalista em Mundial], que vem em uma crescente muito boa”, descreve o presidente da CBAt.
Além de Caio Bonfim e Juliana Campos, o presidente da CBAt também menciona outros atletas com grande potencial. “O Alison dos Santos, o Piu [campeão mundial dos 400 metros com barreiras], já tem duas medalhas olímpicas [ambas de bronze] e Los Angeles vai ser a Olimpíada dele. E o Luiz Maurício, no ano passado, fez a segunda marca do mundo no lançamento do dardo. Ele é um menino muito novo [26 anos], que terá seu ápice em Los Angeles”, completa.
Alison dos Santos, conhecido como Piu, é um dos principais nomes do atletismo brasileiro na atualidade. O atleta já conquistou duas medalhas de bronze em Jogos Olímpicos e se prepara para buscar o ouro em Los Angeles 2028. Luiz Maurício, por sua vez, é uma jovem promessa do lançamento de dardo e tem potencial para surpreender na competição.
Mundial de Marcha Atlética em Brasília: Preparação para o Futuro
Caio Bonfim é a principal atração do Campeonato Mundial por Equipes de Marcha Atlética, que acontece em Brasília no dia 12 de abril. A capital federal é a cidade natal do marchador, que conquistou a prata na Olimpíada de Paris em 2024 e o ouro no Mundial de Atletismo de Tóquio no ano anterior, ambos na distância de 20 quilômetros.
O Mundial de Marcha Atlética em Brasília contará com seis disputas. As maratonas masculina e feminina, com 42,2 quilômetros de percurso, iniciam às 7h (horário de Brasília). A distância da maratona foi adotada este ano pela World Athletics, a federação internacional da modalidade, substituindo a prova de 35 quilômetros, na qual Caio Bonfim foi medalhista de prata no Mundial em 2025.
Detalhes da Competição: Horários e Distâncias
As provas sub-20, com 10 quilômetros, têm largada entre 7h30 (homens) e 8h30 (mulheres). As disputas da meia-maratona, com 21,1 quilômetros, substituem a prova dos 20 quilômetros. A largada do pelotão masculino está marcada para 11h05 e a do feminino para 12h50. A meia-maratona será a distância olímpica da competição de marcha atlética em Los Angeles.
Campos destaca a importância de sediar o Mundial em Brasília. “[O Mundial] será na Esplanada dos Ministérios. A largada da prova e a chegada vão se dar em frente à Catedral. Foi um processo muito difícil, mas estamos muito felizes. Contamos com todo o apoio do Governo Federal, da Caixa e das Loterias Caixa, nossos patrocinadores master. Queremos entregar o melhor Mundial de Marcha Atlética de todos os tempos”, projeta.
O presidente da CBAt também ressalta a vantagem de Caio Bonfim competir em casa. “O Caio terá todo o apoio da torcida, o que fará uma grande diferença. E ele está acostumado ao clima de Brasília, que, acho, será o maior desafio dos demais atletas. Por mais que ele não treine na Esplanada dos Ministérios, fizemos, há um mês, um evento-teste no mesmo percurso [do Mundial] e o Caio se saiu muito bem. Em fevereiro, ele disputou, como convidado, o Campeonato Japonês de Marcha Atlética, torneio nacional mais forte do mundo, e bateu o recorde brasileiro”, destaca Campos.
Brasil Almeja Sediar Mais Competições Internacionais
O Brasil também se candidatou para sediar o Mundial de Corrida de Rua em 2028. O evento, realizado anualmente desde 2023, conta com três provas: milha (1,609 quilômetro), 5 quilômetros e meia maratona. Copenhague, na Dinamarca, será a sede da edição de 2026, que será realizada no dia 20 de setembro. Em 2027, a competição será em Yamgzhou, na China.
O sonho mais ambicioso é sediar um Mundial de Atletismo com todas as provas. A próxima edição será em Pequim, em 2027, com 49 eventos e 147 disputas por medalha. No entanto, Campos reconhece que o país não possui, atualmente, um estádio com estrutura adequada para sediar a competição.
Desafios Estruturais e a Busca por Soluções
“Hoje, esbarramos nas pistas. Nós tínhamos o Engenhão [Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro], que recebeu os Jogos Pan-Americanos [em 2007] e Olímpicos [2016], mas a grama foi substituída pela sintética. Para fazer um Mundial, você precisa de duas pistas de atletismo. Uma dentro do estádio e uma fora, para aquecimento. No Brasil, só temos o Engenhão com essa estrutura. O caminho mais curto, hoje, seria colocar grama natural no Engenhão”, conclui o presidente da CBAt.
A falta de infraestrutura adequada representa um desafio para o Brasil sediar grandes competições de atletismo. A CBAt busca soluções para viabilizar a realização de eventos internacionais no país, como a instalação de grama natural no Engenhão, o que permitiria a realização de um Mundial de Atletismo no Rio de Janeiro.
Contexto
O atletismo brasileiro busca consolidar seu crescimento e alcançar resultados expressivos em competições internacionais. A conquista de medalhas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028 é um objetivo ambicioso, mas que demonstra o potencial e o talento dos atletas do país. A realização do Mundial de Marcha Atlética em Brasília e a candidatura para sediar o Mundial de Corrida de Rua são iniciativas importantes para fortalecer a modalidade no Brasil e impulsionar o desenvolvimento do esporte.