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Ascenty projeta quadruplicar e realiza projeto bilionário com Redata

A Ascenty, líder no setor de data centers no Brasil, projeta uma expansão de quatro vezes seu tamanho nos próximos três anos, impulsionada pela crescente demanda por inteligência artificial (IA) e computação em nuvem, e pela recente aprovação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata). Este cenário de forte crescimento posiciona o Brasil como um polo emergente na infraestrutura digital global, atraindo investimentos massivos e solidificando sua capacidade de processamento de dados.

O Redata, sancionado pelo presidente Lula na última semana, representa um marco para o setor. O regime tributário isenta as empresas de PIS/Pasep, Cofins e IPI na aquisição de equipamentos de tecnologia da informação e computação, sejam eles importados ou produzidos no Brasil, quando destinados à implantação, modernização e ampliação de data centers. Essa desoneração reduz significativamente os custos operacionais e de investimento, tornando o Brasil mais competitivo no cenário internacional.

O Salto Impulsionado pelo Redata e a Demanda por IA

A decisão governamental de implementar o Redata dissolve uma das principais barreiras para a instalação de infraestrutura de alta capacidade no país. Christopher Torto, CEO da Ascenty, enfatiza essa mudança estratégica. “O grande empecilho do Brasil não era energia, era o custo de operar aqui versus o custo de operar lá fora”, revela o executivo. Sua avaliação aponta que, embora o mercado brasileiro já demonstrasse um ritmo de crescimento acelerado, os novos incentivos tributários devem catalisar um salto sem precedentes nos investimentos.

A aprovação do Redata nivela as condições de concorrência com mercados mais estabelecidos, como os dos Estados Unidos e da Europa. Companhias globais, a exemplo da Nvidia, principal fornecedora de chips de última geração para treinamento de inteligência artificial, já antecipam que o Brasil alcançará patamares de custos competitivos. Este cenário favorável deve desencadear uma série de novos projetos e anúncios de contratos concretos nos próximos meses, afastando a especulação e fortalecendo a infraestrutura real de dados do país.

Mega investimento em Sumaré: Um Marco na Expansão

A escala do crescimento esperado pela Ascenty materializa-se em projetos ambiciosos, como o novo data center em Sumaré, no interior de São Paulo. Com um investimento de US$ 1 bilhão, a instalação é projetada para atender exclusivamente a um único hyperscaler. O termo “hyperscaler” refere-se a gigantes do processamento e armazenamento em nuvem, como Google (GOGL34), Amazon (AMZO34) e Microsoft (MSFT34), cujas operações demandam infraestruturas massivas e dedicadas. Embora a identidade do cliente permaneça confidencial, a magnitude do projeto sinaliza a atração do Brasil para players globais de peso.

Este empreendimento em Sumaré é apenas um dos múltiplos projetos que visam elevar a potência total dedicada da Ascenty para 1 gigawatt (GW) nos próximos três anos. Essa capacidade colossal ocupará aproximadamente 1 milhão de metros quadrados em novos data centers. Para contextualizar, 1 GW representa a capacidade energética de uma usina nuclear de médio porte, destacando o volume sem precedentes de infraestrutura que será adicionada ao ecossistema digital brasileiro. A concretização de tais projetos garante que o país possa suportar a crescente demanda por processamento de dados complexos e armazenamento em nuvem.

Transformação Tecnológica e Desafios de Infraestrutura

A expansão dos data centers não é apenas uma questão de espaço e energia, mas também de adaptação tecnológica. A demanda por inteligência artificial impulsiona uma nova geração de servidores. Os racks que comportam as Unidades de Processamento Gráfico (GPUs) para IA tornaram-se consideravelmente mais pesados e exigentes em termos energéticos, mesmo com a miniaturização dos chips.

Em alguns projetos, esses servidores chegam a consumir impressionantes 210 quilowatts (kW) por rack, em forte contraste com os 8 kW consumidos por racks dedicados a serviços de nuvem tradicionais. Essa diferença de mais de 25 vezes na densidade de potência impõe desafios significativos de engenharia e infraestrutura. O primeiro impacto prático é a necessidade de estruturas mais resistentes para suportar o peso adicional no piso dos data centers. Além disso, a dissipação de calor dos equipamentos modernos é muito maior, exigindo uma transição crucial da refrigeração por ar para a mais eficiente refrigeração líquida, um sistema complexo e dispendioso, mas essencial para a performance e longevidade dos equipamentos.

Essas transformações impactam diretamente os custos de construção e operação, mas são mandatórias para abrigar a tecnologia de ponta necessária à inteligência artificial. O aprimoramento da infraestrutura de data centers no Brasil, portanto, não se limita à quantidade de instalações, mas também à sua capacidade de integrar e gerenciar as últimas inovações tecnológicas.

Energia e Transmissão: Gargalos e Soluções em Andamento

Toda essa infraestrutura avançada demanda uma quantidade substancial de energia. Apesar de o Brasil gerar mais energia do que consome, o mercado ainda enfrenta gargalos significativos na transmissão. O transporte da energia gerada, frequentemente em regiões distantes dos grandes centros consumidores e onde os data centers estão localizados, representa um desafio.

No entanto, a perspectiva é otimista para o médio prazo. “A partir de 2029 não vai ser um problema tão grande porque há muito reforço das linhas de transmissão agora. Governo, Anatel e ONS estão olhando para isso, tentando trazer investimentos mais rápido”, afirma o CEO da Ascenty. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) trabalham em conjunto com o governo para acelerar investimentos em novas linhas e reforços de transmissão, garantindo que a capacidade energética do país possa ser plenamente utilizada para suprir a demanda crescente do setor de tecnologia.

A superação desses desafios de transmissão é vital para que o Brasil consolide sua posição como um hub de data centers de nível mundial, permitindo que a infraestrutura digital cresça sem restrições energéticas e aproveitando ao máximo as vantagens competitivas criadas pelo Redata.

O Que Está Em Jogo para o Brasil

A expansão da infraestrutura de data centers no Brasil tem implicações profundas que vão além do setor de tecnologia. Trata-se da capacidade do país de hospedar e processar uma quantidade crescente de dados, fundamental para a economia digital, a inovação e a segurança da informação. O investimento em data centers de ponta, facilitado por regimes como o Redata, atrai empresas globais, gera empregos qualificados e fortalece a soberania digital brasileira. A disponibilidade de infraestrutura robusta e competitiva é um fator decisivo para que empresas de todos os portes possam alavancar a inteligência artificial e a computação em nuvem, impulsionando a produtividade e a inovação em diversos setores da economia.

Contexto

O Brasil, uma das maiores economias da América Latina, tem experimentado uma rápida digitalização, com um aumento exponencial na demanda por serviços de internet, streaming e, mais recentemente, inteligência artificial. A aprovação do Redata é o ápice de um movimento que visa reconhecer a importância estratégica dos data centers como espinha dorsal da economia digital, garantindo que o país não apenas consuma, mas também produza e processe dados em larga escala, consolidando sua posição como um player relevante no cenário tecnológico global.

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