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Arquivos de Epstein citam Clinton, mas Trump é pouco mencionado

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EUA divulgam documentos sobre Jeffrey Epstein; nome de Trump pouco aparece

Washington, 20 de dezembro – O Departamento de Justiça dos Estados Unidos liberou, na sexta-feira, milhares de documentos relacionados a Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado que faleceu em 2019. Os arquivos, cuja divulgação foi determinada por lei aprovada pelo Congresso, citam amplamente o ex-presidente Bill Clinton, mas fazem poucas referências ao ex-presidente Donald Trump.

Conteúdo da Divulgação

A ausência de menções a Trump chamou a atenção, dado que fotos e documentos ligando-o a Epstein já haviam circulado publicamente. Em fevereiro, manifestos de voo do avião particular de Epstein, com o nome de Trump entre os passageiros, foram divulgados.

Entre os itens de destaque, está uma denúncia apresentada ao FBI em 1996, na qual Epstein é acusado de envolvimento com “pornografia infantil”. Maria Farmer, responsável pela denúncia, afirmou que o FBI não deu seguimento às suas alegações.

“Este é um momento que esperei por três décadas, mais da metade da minha vida. Quando fui ignorada e desligada pelo FBI em 1996, meu mundo virou de cabeça para baixo e me senti congelada no tempo”, disse Farmer.

Figuras Públicas em Imagens Divulgadas

As fotos divulgadas incluem personalidades como o âncora Walter Cronkite (falecido), os cantores Mick Jagger, Michael Jackson e Diana Ross, o empresário Richard Branson e Sarah Ferguson, ex-duquesa de York. As imagens, em sua maioria sem data e contexto, não implicam qualquer acusação de irregularidade contra as figuras retratadas.

Contexto Político e Ações do Congresso

A divulgação parcial dos documentos ocorreu em cumprimento a uma lei aprovada pelo Congresso em novembro, que exigia a liberação de todos os Arquivos de Epstein. A medida contrasta com esforços anteriores do governo Trump para manter os documentos sob sigilo.

O escândalo Epstein se tornou um problema político para Trump, que chegou a promover teorias da conspiração sobre o caso entre seus apoiadores.

Análise dos Documentos

A relevância dos novos materiais ainda não está totalmente clara, uma vez que muitos documentos relacionados a Epstein já haviam sido divulgados após sua morte na prisão, considerada suicídio. Grande parte dos arquivos foi fortemente editada, com documentos extensos totalmente apagados. O Departamento de Justiça informou que ainda analisa centenas de milhares de páginas adicionais para possível divulgação.

Os arquivos incluem evidências de investigações sobre Epstein e fotos de Bill Clinton, figura frequentemente criticada por republicanos. No entanto, há poucas ou nenhuma foto ou documento mencionando Trump, apesar de sua amizade com Epstein na década de 1990 e início dos anos 2000.

Trump não foi acusado de irregularidades e nega ter conhecimento dos crimes de Epstein.

Reação do Governo e Críticas

O Departamento de Justiça buscou destacar a relação de Clinton com Epstein, com porta-vozes divulgando imagens que supostamente o mostravam com vítimas de Epstein. Angel Urena, vice-chefe de gabinete de Clinton, criticou a Casa Branca por tentar “se proteger” ao focar no ex-presidente.

“Eles podem divulgar quantas fotos granuladas de mais de 20 anos quiserem, mas não se trata de Bill Clinton”, escreveu Urena.

Em resposta, a Casa Branca declarou que a divulgação demonstra transparência e compromisso com a justiça para as vítimas de Epstein, criticando administrAções democratas anteriores por não terem agido da mesma forma. A declaração não mencionou, porém, que a liberação dos documentos só ocorreu após pressão do Congresso.

Alguns legisladores criticaram o governo por não divulgar todos os arquivos. Chuck Schumer, líder da minoria democrata no Senado, afirmou que o conjunto de documentos divulgados é apenas uma fração do conjunto de provas. O representante republicano Thomas Massie, um dos principais defensores da legislação, disse que a liberação “falha grosseiramente em cumprir tanto o espírito quanto a letra da lei”.

A lei exige que o Departamento de Justiça forneça informações sobre a condução da investigação de Epstein, incluindo relatórios internos e e-mails, que não parecem estar incluídos no lote divulgado.

Frustração entre Eleitores de Trump

Eleitores de Trump têm acusado seu governo de acobertar os laços de Epstein com figuras poderosas e de ocultar detalhes sobre sua morte na prisão. Uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos mostrou que apenas 44% dos republicanos aprovam a forma como Trump lidou com a questão de Epstein.

Recentemente, democratas divulgaram e-mails obtidos do espólio de Epstein, incluindo um em que ele afirmava que Trump “sabia sobre as meninas”. Trump acusou os democratas de promover o caso como uma distração. Republicanos divulgaram outros e-mails no mesmo dia, incluindo um que dizia que Trump visitou a casa de Epstein muitas vezes, mas “nunca recebeu uma massagem”.

Divulgações anteriores revelaram que, mesmo após sua condenação em 2008, Epstein continuou a se corresponder com figuras importantes como Steve Bannon, Larry Summers, Peter Thiel e o ex-príncipe Andrew da Grã-Bretanha.

O JPMorgan pagou US$ 290 milhões a algumas das vítimas de Epstein em 2023 para encerrar alegações de negligência em relação ao tráfico sexual. O banco manteve Epstein como cliente por cinco anos após sua condenação em 2008.

Contexto

A divulgação de documentos relacionados a Jeffrey Epstein mantém o foco público sobre um caso que envolveu figuras importantes da política, da mídia e do mundo dos negócios. A controvérsia em torno do caso e as acusações de encobrimento geram desconfiança nas instituições e podem influenciar a opinião pública.

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