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Americanas: rombo de R$44 mi AINDA assusta no 4º trimestre

Americanas Reduz Prejuízo no Quarto Trimestre, Mas Receita Apresenta Queda

A Americanas (BBSA3) anuncia a redução do seu prejuízo líquido para R$44 milhões no quarto trimestre de 2025. Este resultado representa uma melhora significativa em relação ao prejuízo de R$586 milhões registrado no mesmo período de 2024. A informação consta no balanço financeiro divulgado nesta quarta-feira.

Apesar da melhora no prejuízo, a receita líquida da companhia apresenta uma queda de 3,8%, totalizando R$3,69 bilhões entre outubro e dezembro. O resultado operacional, medido pelo Ebitda (Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, ficou em R$276 milhões, um avanço modesto de 1,9% em relação ao quarto trimestre do ano anterior.

Impacto do Fechamento de Lojas e Perspectivas para 2026

Sebastien Durchon, diretor financeiro e de relações com investidores da Americanas, explica que o resultado ainda reflete o impacto de atividades que a empresa está vendendo ou descontinuando. “Temos dentro do resultado o peso ainda de algumas atividades que estamos vendendo ou descontinuando”, declarou em entrevista à Reuters. O fechamento de lojas em 2025, segundo Durchon, gerou perdas em vendas, mas também contribuiu para a diminuição de despesas.

A companhia, que se encontra em processo de recuperação judicial, demonstra otimismo em relação à sua saída do processo ainda em 2026. “Queremos sair o quanto antes”, afirma o diretor financeiro, reiterando o desejo da empresa em resolver a situação o mais rápido possível. Anteriormente, a Americanas havia manifestado a expectativa de concluir a reestruturação em fevereiro de 2026.

As vendas brutas no conceito de mesmas lojas registraram um crescimento de 7,8% no quarto trimestre. A empresa encerrou 2025 com um total de 1.470 lojas, divididas entre 906 unidades convencionais e 564 lojas ‘express’. Em comparação, no final de 2024, a rede contava com 1.587 lojas.

Base de Clientes e Estratégia de Expansão

Atualmente, a Americanas informa possuir uma base de 44 milhões de clientes ativos, que geram uma média de 90 milhões de visitas mensais nas lojas físicas, site e aplicativo da varejista. A manutenção de uma base de clientes ativa e engajada é vista como um fator crucial para a recuperação da empresa.

Em 2025, a Americanas realizou a inauguração de três novas lojas, todas localizadas na região Nordeste do país, especificamente em Aquiraz (CE), Aracaju (SE) e Camaçari (BA). A escolha estratégica da região Nordeste para a expansão reflete o potencial de crescimento econômico e de fluxo de clientes nessas localidades.

Apesar das inaugurações, o diretor financeiro Sebastien Durchon enfatiza que não se trata de uma estratégia agressiva de expansão. “Não é uma estratégia de expansão. Essas praças foram vistas como oportunidade, tendo em vista o crescimento econômico e de fluxo. Estamos acompanhando o mercado”, esclarece Durchon.

Foco no Varejo Físico e Integração com o Digital

A maior atenção da companhia ao varejo físico tem como objetivo principal melhorar a integração e a experiência do cliente no segmento digital. A Americanas busca fortalecer a sinergia entre suas lojas físicas e sua plataforma online, visando oferecer uma experiência de compra mais completa e integrada aos seus consumidores.

Parceria Estratégica com o Magazine Luiza

No final de 2025, a Americanas anunciou uma parceria estratégica com o Magazine Luiza (MGLU3), permitindo que a primeira vendesse seus produtos na plataforma digital da segunda. Essa colaboração visa fortalecer a competitividade da Americanas contra outros grandes players do mercado, como Mercado Livre e Shopee.

Os executivos da Americanas avaliam positivamente o acordo com o Magazine Luiza e não descartam a possibilidade de novas parcerias nessa direção. A busca por colaborações estratégicas é vista como uma forma de otimizar recursos, ampliar o alcance da marca e fortalecer a posição da empresa no mercado.

Fernando Soares, presidente-executivo da Americanas, destaca o sucesso da parceria com o Magazine Luiza. “Parceria [com Magazine Luiza] vem crescendo. Encontramos uma forma de fechar todos os ‘gaps’”, afirma Soares, demonstrando otimismo em relação ao futuro da colaboração entre as duas empresas.

A parceria com o Magazine Luiza permite à Americanas ampliar sua presença no e-commerce, alcançando um público maior e diversificando seus canais de venda. A colaboração também possibilita o compartilhamento de recursos e conhecimentos, impulsionando a inovação e a melhoria contínua das operações.

Com a integração de seus produtos na plataforma do Magazine Luiza, a Americanas busca otimizar sua logística de entrega, reduzir custos operacionais e oferecer aos seus clientes uma experiência de compra mais ágil e eficiente. A parceria estratégica representa um passo importante na jornada de recuperação da empresa e na busca por um crescimento sustentável.

A Americanas aposta na multicanalidade, integrando lojas físicas, e-commerce e aplicativo para oferecer uma experiência de compra completa e personalizada para seus clientes. Essa estratégia visa atender às diferentes necessidades e preferências dos consumidores, fortalecendo o relacionamento com a marca e impulsionando o crescimento das vendas.

Ao investir na integração entre seus canais de venda, a Americanas busca otimizar seus processos internos, reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência de suas operações. A empresa acredita que a multicanalidade é fundamental para o sucesso no mercado varejista atual, que exige agilidade, flexibilidade e personalização.

A Americanas busca fortalecer sua marca e consolidar sua posição no mercado varejista brasileiro, oferecendo produtos de qualidade, preços competitivos e um atendimento diferenciado. A empresa está comprometida em superar os desafios da recuperação judicial e em construir um futuro promissor para seus clientes, colaboradores e acionistas.

O Que Está em Jogo

A recuperação judicial da Americanas tem impacto direto em seus fornecedores, credores, funcionários e consumidores. A reestruturação da empresa pode levar a mudanças significativas no mercado varejista brasileiro, com potencial para afetar a concorrência e a dinâmica do setor.

A capacidade da Americanas de sair da recuperação judicial com sucesso dependerá de sua capacidade de renegociar dívidas, cortar custos, aumentar a eficiência operacional e inovar em seus produtos e serviços. A empresa precisa reconquistar a confiança de seus clientes e investidores para garantir um futuro sustentável.

Contexto

A Americanas (BBSA3) entrou em recuperação judicial em janeiro de 2023 após a descoberta de inconsistências contábeis de R$20 bilhões. O caso teve grande repercussão no mercado financeiro, gerando desconfiança e volatilidade nas ações da empresa. A recuperação judicial é um processo complexo que envolve a renegociação de dívidas e a reestruturação da empresa, visando garantir sua viabilidade a longo prazo e o pagamento aos credores.

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