O prazo final para o alistamento militar obrigatório encerra nesta terça-feira, 30 de abril. A exigência alcança jovens do sexo masculino que completam 18 anos em 2026. Mulheres na mesma faixa etária que aspiram à carreira nas Forças Armadas também podem se alistar voluntariamente até a mesma data.
O processo acontece majoritariamente via internet, através da plataforma Gov.br, para quem possui cadastro, e pelo site Alistamento Online. Quem não tem acesso digital, ou prefere a via tradicional, deve procurar uma Junta de Serviço Militar (JSM). O alistamento não gera custos.
Documentos exigidos para o alistamento
- Certidão de nascimento ou casamento.
- Carteira de identidade ou Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS).
- Comprovante de residência recente.
Após a inscrição, o jovem recebe o Certificado de Alistamento Militar (CAM). É preciso acompanhar o status pelo site, verificando se foi dispensado ou se seguirá para a etapa de seleção geral, marcada para o segundo semestre de 2026.
Os convocados enfrentam uma bateria de testes. Exames médicos e odontológicos avaliam a saúde. Testes de aptidão física medem o condicionamento. Entrevistas buscam identificar habilidades e o interesse real em servir.
A fase seguinte é a seleção complementar. Nela, os candidatos são designados por uma das três forças – Exército, Marinha ou Aeronáutica – até a incorporação e recebimento da matrícula.
A dispensa do serviço militar inicial pode ocorrer por diferentes razões. Uma delas é o excesso de contingente, quando o número de alistados supera a necessidade. Outra, morar em um município que não contribui com pessoal para as Forças Armadas.
Mesmo dispensado, o jovem recebe o Certificado de Dispensa de Incorporação (CDI). Para isso, ele precisa participar da cerimônia de juramento à bandeira, um ato cívico que formaliza a situação.
Ignorar o prazo de alistamento traz consequências sérias para o jovem do sexo masculino. Há uma multa a ser paga e a necessidade de regularizar a situação militar em uma junta. A não regularização implica em restrições significativas na vida civil.
Sem o alistamento em dia, o cidadão fica impedido de obter passaporte, por exemplo, travando planos de viagem ou intercâmbio. Assumir cargos públicos ou mesmo participar de concursos torna-se inviável, fechando portas para uma carreira no setor. Matricular-se em instituições de ensino, sejam universidades ou cursos técnicos, também pode ser barrado, comprometendo a formação acadêmica. Até o recebimento de benefícios sociais, como programas de moradia ou auxílios governamentais, fica comprometido, afetando diretamente a rotina e o futuro do jovem que não cumpre a obrigação militar.
Mulheres nas Forças Armadas: Crescimento e Oportunidades
Enquanto o alistamento é compulsório para homens, as mulheres que completam 18 anos em 2026 têm a chance de ingressar voluntariamente nas Forças Armadas. A opção reflete um movimento de ampliação da participação feminina nas carreiras militares, antes predominantemente masculinas.
Nos últimos anos, a presença de mulheres tem crescido em diversos postos, desde a linha de frente, em operações e missões, até cargos de gestão e especialização técnica, como engenharia, saúde e aviação. Essa abertura não apenas oferece novas perspectivas profissionais em um setor de alta empregabilidade e prestígio, mas também contribui para a diversidade, a modernização e o aprimoramento das instituições militares brasileiras, que buscam talentos em todas as esferas da sociedade.
Contexto
O serviço militar obrigatório no Brasil tem base constitucional, previsto no Art. 143 da Constituição Federal de 1988, e remonta a uma tradição que visa formar uma reserva de pessoal para a defesa nacional. Historicamente, a medida buscou garantir a prontidão das Forças Armadas em tempos de paz e guerra, além de promover a integração social de jovens oriundos de diversas regiões e contextos socioeconômicos do país. Embora a discussão sobre sua relevância e formato no cenário atual de exércitos mais profissionalizados persista em debates acadêmicos e militares, o modelo brasileiro mantém-se como um pilar da doutrina de defesa, funcionando também como um período de formação cívica, disciplina e, para muitos jovens, especialmente aqueles de baixa renda, uma oportunidade de qualificação profissional, acesso à saúde e inserção social por meio de atividades e cursos oferecidos dentro da caserna.