Investidores podem encontrar boas opções em ações com retorno em dividendos acima de 15%

Ações com retorno em dividendos acima da Selic oferecem oportunidades para investidores.
Ações com dividendos acima da Selic: oportunidades no mercado
Com a decisão recente do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa de juros Selic em 15%, investidores estão reconsiderando suas opções. O cenário de altas Taxas de juros em renda fixa fez com que muitos olhassem para o mercado de ações, onde é possível encontrar retornos em dividendos superiores a esse patamar. Até o início deste mês, algumas empresas apresentaram dividendos e juros sobre o capital que chegaram a até 60% do valor das ações.
A importância dos dividendos extraordinários
Empresas de diversos setores, incluindo tecnologia, bens de consumo, energia e imobiliário, se destacam nesse contexto. Rodrigo Santoro, Head de Ações da Bradesco Asset, explica que um movimento significativo de pagamento de dividendos extraordinários deve ocorrer até o fim do ano. Isso se deve à mudança na tributação sobre a distribuição de lucros que deve entrar em vigor no próximo ano. Santoro ressalta que muitas empresas estão anunciando dividendos grandes para garantir a isenção fiscal este ano.
Expectativas para o próximo ano
A expectativa é que o dividendo médio das empresas do Índice Bovespa suba para entre 7% e 8%, superando os 6,5% projetados para o ano que vem. No entanto, Santoro também observa que é difícil para uma grande empresa manter um dividend yield equivalente aos juros de 15% ao ano em condições normais, a não ser em situações de dividendos extraordinários. Ele sugere que a base de comparação para o retorno em dividendos deve ser o juro real, e não a taxa nominal da Selic.
Análise do retorno total
Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico Investimentos, acrescenta que é possível obter retornos em dividendos acima de 15% ao ano, mas com ressalvas. Ela destaca que dividend yields acima de 15% não são comuns e muitas vezes são resultado de quedas acentuadas no preço das ações ou de eventos pontuais. O investidor deve sempre considerar o retorno total, que inclui dividendos e a valorização ou desvalorização das ações.
A seletividade como estratégia
Com a Selic em 15%, é essencial que os dividendos ‘compitam’ com a renda fixa, e a seletividade se torna a palavra-chave. Mesmo com a taxa de juros elevada, o Ibovespa apresentou uma alta de mais de 30% neste ano, e o Índice de Dividendos (IDIV) subiu mais de 25%. Isso demonstra que empresas bem posicionadas continuam a entregar valor, mesmo em um cenário de juros altos.
Considerações finais
Ricardo França, analista da Ágora Corretora, observa que uma interpretação mais suave do comunicado do Copom pode sinalizar uma possível queda de juros no futuro, o que beneficiaria os ativos de risco, como ações e fundos imobiliários. Ele destaca que historicamente, os ciclos de queda de juros são positivos para o mercado acionário, e a expectativa é de que os investidores respondam positivamente a essa tendência. Portanto, diversificar entre renda fixa e variável é uma estratégia que pode trazer segurança e oportunidades para o investidor.