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Ação na Justiça tenta impedir desfile com samba sobre Lula no carnaval

Guarda Municipal de Jundiaí

Ação judicial tenta impedir desfile de escola de samba que homenageará Lula em 2026

Lula no Carnaval

Uma ação popular foi protocolada na 8ª Vara Federal Cível do Distrito Federal com o objetivo de impedir o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval de 2026, no Rio de Janeiro. A escola planeja homenagear o presidente Lula, o que, segundo os autores da ação, configura propaganda eleitoral antecipada.

Alegada Propaganda Eleitoral Antecipada

A ação foi movida pelo senador Bruno Bonetti (PL-RJ) e pelo deputado estadual do Rio Anderson de Moraes (PL-RJ). Eles alegam “desvio de finalidade” no repasse de verbas federais à agremiação, argumentando que o enredo da escola remete ao número de Lula na urna e a outros símbolos de sua campanha eleitoral.

Os autores da ação argumentam que o uso de recursos públicos para promover um pré-candidato à reeleição durante o ano eleitoral configura improbidade administrativa e viola os princípios da moralidade e impessoalidade. Caso a Justiça não impeça o desfile, os autores pedem que a transmissão televisiva seja proibida.

Repasse de Verbas Federais

A Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur) firmou um termo de colaboração com a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) que prevê o repasse de R$ 12 milhões, sendo R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial. O objetivo oficial é promover o Brasil como destino turístico internacional.

Os autores da ação, no entanto, alegam que há uma “dissociação entre a finalidade declarada e a finalidade efetivamente realizada”, pois o repasse estaria sendo utilizado para promover a imagem pessoal de um agente político. A Acadêmicos de Niterói não se manifestou sobre o caso até o momento.

Projeto de Lei para Impedir Uso Futuro de Recursos

O senador Bonetti também protocolou o Projeto de Lei (PL) 392/2026, que proíbe expressamente o uso de recursos públicos federais em eventos culturais e desfiles carnavalescos que promovam a “exaltação personalizada” de autoridades e agentes públicos em exercício de mandato.

O projeto de lei estabelece que repasses da União a escolas de samba, agremiações carnavalescas e entidades culturais devem obedecer aos princípios constitucionais da impessoalidade, da moralidade administrativa e da finalidade pública, vedando o financiamento de projetos que promovam elogios a governantes, caracterizem promoção pessoal ou funcionem como propaganda político-eleitoral, mesmo que de forma indireta.

Ministra Defende Escola de Samba

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Aroldo Cedraz, decidiu manter o repasse de R$ 1 milhão da Embratur para a escola de samba Acadêmicos de Niterói após recomendação técnica para suspensão.

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffman (PT-PR), tem defendido a escola de samba e chegou a cantar trechos do samba-enredo no Congresso Nacional.

Contexto

A ação judicial e o projeto de lei que visam impedir ou restringir o financiamento público de desfiles carnavalescos que homenageiam figuras políticas em exercício de mandato geram um debate sobre a separação entre promoção turística e propaganda política, além de questionar a utilização de recursos públicos em eventos culturais com potenciais conotações eleitorais.

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